Essa noite nem fria nem quente
me invade com um sono que não dorme
que é talvez a poesia insone
de coisa que não se fala.
- Você está dentro de mim como uma fome
que chegou com pouco interesse e muito encantamento.
E tem o poder de ser tudo aquilo que eu não conheço em mim.
- Tem o poder devastador e quieto de ir além de mim.
quinta-feira, 24 de dezembro de 2009
Momento seu.
Deixou marítimo, deixou
a roda tão doce, numa seresta
a flor cirandou
com euforia do desconhecido
sobre o silêncio do tempo
Deixou tudo assim tão suave
leve, pluma,
cortando a água do mar, martírio
é o delírio imaginário
de existir sem pensar
de ser o tempo
dentro do próprio tempo.
a roda tão doce, numa seresta
a flor cirandou
com euforia do desconhecido
sobre o silêncio do tempo
Deixou tudo assim tão suave
leve, pluma,
cortando a água do mar, martírio
é o delírio imaginário
de existir sem pensar
de ser o tempo
dentro do próprio tempo.
Mulher
É fácil deixar a vida que corre louca e breve lá fora para pensar em você. Mais fácil do que eu queria, talvez. Porque eu descobri com você que a vida pode ser muito mais louca e infinitamente imensa, adorada de noite como o prazer e enfim a vida, uma vida que é um elogio. Aprendi que tem muito mais vida em um beijo, e ainda muita vida na espera. Aprendi a admirar a paciência e a calma e a serenidade de um orvalho que cai devagar e belo.
Aprendi muita matiz e cor entre dois pólos, e que entre o riso e a lágrima existe um milhão de sentidos. Como quem tem todo o poder do olfato aprendi que o sabor das rosas se difundem no ar. Navegar neste céu e mar que é você, com um balanço entre inseguro e certo tal me é o horizonte, pode ser. É mais do que eu previa para mim.
E quando à noite você chegar e tomar dela o calor para o seu frio, me balançar nos seus cabelos embaraçados pelo prazer e dormir no seu colo arrepio, muito me arrepio. Como um menino que é em si o mais homem dos homens por ter conhecido você mulher.
A noite chegará então vampira com você sempre nos sonhos.
Aprendi muita matiz e cor entre dois pólos, e que entre o riso e a lágrima existe um milhão de sentidos. Como quem tem todo o poder do olfato aprendi que o sabor das rosas se difundem no ar. Navegar neste céu e mar que é você, com um balanço entre inseguro e certo tal me é o horizonte, pode ser. É mais do que eu previa para mim.
E quando à noite você chegar e tomar dela o calor para o seu frio, me balançar nos seus cabelos embaraçados pelo prazer e dormir no seu colo arrepio, muito me arrepio. Como um menino que é em si o mais homem dos homens por ter conhecido você mulher.
A noite chegará então vampira com você sempre nos sonhos.
quinta-feira, 17 de dezembro de 2009
Antigos sonhos de um antigo caderno VI
A gleba da noite quente
As estrelas derretem neste céu de verão
sondam um comércio de tempo no espaço
mercado negro de primaveras
em pleno calor de veraneio
Chovem janeiros, anos inteiros
no tráfico de tempo dos buracos negros
negociando planetas com versos febris
enganam a gravidade com conversas sutis
As estrelas derretem neste céu de verão
sondam um comércio de tempo no espaço
mercado negro de primaveras
em pleno calor de veraneio
Chovem janeiros, anos inteiros
no tráfico de tempo dos buracos negros
negociando planetas com versos febris
enganam a gravidade com conversas sutis
Antigos sonhos de um antigo caderno V
A noite está quente
faz toda gente roer os dentes
entre uma virada e outra
na cama que a poeira e poeira e só
navegando pensamentos distintos
de qualquer temperatura.
faz toda gente roer os dentes
entre uma virada e outra
na cama que a poeira e poeira e só
navegando pensamentos distintos
de qualquer temperatura.
Antigos sonhos de um antigo caderno IV
Cada espaço canta
seu próprio encanto;
se recanta encostado
recosta e redobra
essa manobra recatada.
Doida-de-ver ao relento
dá-de-ré, relento todo
e põe-se a pôr dia de novo.
seu próprio encanto;
se recanta encostado
recosta e redobra
essa manobra recatada.
Doida-de-ver ao relento
dá-de-ré, relento todo
e põe-se a pôr dia de novo.
Antigos sonhos de um antigo caderno III
À o João.
neste
digo-não-digo
condizente
peço, redigo, digo: tento
arrelento, retento
ao relento desdizente da tarde vazia
em que preenche o sentido
cada vez mais aprofundado
desse teu abismo
beijo de morcego
piada sem tesão
poema reluz
porta de avião, sem brilho
em vão
tente se encontrar
nesse poema elucidário
escrito em binário, relicário
imenso estuário de palavras
de um aquele João
neste
digo-não-digo
condizente
peço, redigo, digo: tento
arrelento, retento
ao relento desdizente da tarde vazia
em que preenche o sentido
cada vez mais aprofundado
desse teu abismo
beijo de morcego
piada sem tesão
poema reluz
porta de avião, sem brilho
em vão
tente se encontrar
nesse poema elucidário
escrito em binário, relicário
imenso estuário de palavras
de um aquele João
Marcadores:
fluição,
inclassificável,
palavreado,
pr'alguém
Antigos sonhos de um antigo caderno II
Desvaneio
Tudo se desvanece
e chove
jun
to
co
m a
ch
uv
a
Cada gota, uma a uma
- essas maestras da poesia -
tudo se desvanece
Levam consigo o pranto
deixam seu encanto
que ch
ove
ju
nto
com
a
c
huv
a
Proíbe o proibido
água no umbigo
qu
e
chove
jun
to
co
m a
c
hu
va
A lua da cidade
que se reflete na rua
tudo se desvanece
Os passos escorregadios
chovem também e se
esquecem
jun
to
c
om
a
c
hu
v
a
A janela derrete
e com ela a saudade se esquece
Tudo se desvanece
e
cho
v
e
junt
o
co
m
a
c
h
u
v
a
Tudo se desvanece
e chove
jun
to
co
m a
ch
uv
a
Cada gota, uma a uma
- essas maestras da poesia -
tudo se desvanece
Levam consigo o pranto
deixam seu encanto
que ch
ove
ju
nto
com
a
c
huv
a
Proíbe o proibido
água no umbigo
qu
e
chove
jun
to
co
m a
c
hu
va
A lua da cidade
que se reflete na rua
tudo se desvanece
Os passos escorregadios
chovem também e se
esquecem
jun
to
c
om
a
c
hu
v
a
A janela derrete
e com ela a saudade se esquece
Tudo se desvanece
e
cho
v
e
junt
o
co
m
a
c
h
u
v
a
Antigos sonhos de um antigo caderno I
Alguns problemas por falta de identificação com a matéria.
Falta o barulho da máquina de escrever
para embalar os sonhos deste poema
caíamos nós no embalo da rede,
amparada em tradicionalíssimos
festivais de celebração
da futilidade humana...
Embora roubamos robalos
é para matar a fome.
Sentimo-nos traídos
pela
própria
carne
O caderno grita suas decepções mas ninguém o ouve!
na rua lotada
cheirando a álcool e meu vômito
somos traduzidos num mingau de erros
na elaboração concreta de uma arma
mais eficaz contra nossos próprios defeitos
A poesia é meu abrigo
onde me refugio de mim mesmo e
de todas as possibilidades de me perder
da minha própria humanidade
quem se importa quem sou
Ninguém se importa com alguém
e quem remói a sua própria frustração
?
A tinta me surpreende por sua fração
A língua pela aliteração
literalmente
estamos nos perdendo de ti, Caeiro
Falta o barulho da máquina de escrever
para embalar os sonhos deste poema
caíamos nós no embalo da rede,
amparada em tradicionalíssimos
festivais de celebração
da futilidade humana...
Embora roubamos robalos
é para matar a fome.
Sentimo-nos traídos
pela
própria
carne
O caderno grita suas decepções mas ninguém o ouve!
na rua lotada
cheirando a álcool e meu vômito
somos traduzidos num mingau de erros
na elaboração concreta de uma arma
mais eficaz contra nossos próprios defeitos
A poesia é meu abrigo
onde me refugio de mim mesmo e
de todas as possibilidades de me perder
da minha própria humanidade
quem se importa quem sou
Ninguém se importa com alguém
e quem remói a sua própria frustração
?
A tinta me surpreende por sua fração
A língua pela aliteração
literalmente
estamos nos perdendo de ti, Caeiro
quarta-feira, 9 de dezembro de 2009
Tevê e vê.
estou chocado com uma piada que li
ah não não era piada era verdade e é
o jeito mesmo é cobrar
quem sabe
olhos internos na gaveta homicida
vasculha culha culha
velha velha idéia
esculhamba
nó de garganta
que nos faz calados
frente ao ódio inerte
que a televisão mostra e não vê
ah não não era piada era verdade e é
o jeito mesmo é cobrar
quem sabe
olhos internos na gaveta homicida
vasculha culha culha
velha velha idéia
esculhamba
nó de garganta
que nos faz calados
frente ao ódio inerte
que a televisão mostra e não vê
domingo, 6 de dezembro de 2009
Controle.
Mãos inchadas
e olhos doloridos do sono
Acordo como quem faz guerra...
Fazer acordo com quem faz guerra
à espera do ano, fica pro ano
a vida sem presente
O melhor presente é fazer,
às 12:30, o que você nasceu pra fazer
neste país.
e olhos doloridos do sono
Acordo como quem faz guerra...
Fazer acordo com quem faz guerra
à espera do ano, fica pro ano
a vida sem presente
O melhor presente é fazer,
às 12:30, o que você nasceu pra fazer
neste país.
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