Essa noite nem fria nem quente
me invade com um sono que não dorme
que é talvez a poesia insone
de coisa que não se fala.
- Você está dentro de mim como uma fome
que chegou com pouco interesse e muito encantamento.
E tem o poder de ser tudo aquilo que eu não conheço em mim.
- Tem o poder devastador e quieto de ir além de mim.
quinta-feira, 24 de dezembro de 2009
Momento seu.
Deixou marítimo, deixou
a roda tão doce, numa seresta
a flor cirandou
com euforia do desconhecido
sobre o silêncio do tempo
Deixou tudo assim tão suave
leve, pluma,
cortando a água do mar, martírio
é o delírio imaginário
de existir sem pensar
de ser o tempo
dentro do próprio tempo.
a roda tão doce, numa seresta
a flor cirandou
com euforia do desconhecido
sobre o silêncio do tempo
Deixou tudo assim tão suave
leve, pluma,
cortando a água do mar, martírio
é o delírio imaginário
de existir sem pensar
de ser o tempo
dentro do próprio tempo.
Mulher
É fácil deixar a vida que corre louca e breve lá fora para pensar em você. Mais fácil do que eu queria, talvez. Porque eu descobri com você que a vida pode ser muito mais louca e infinitamente imensa, adorada de noite como o prazer e enfim a vida, uma vida que é um elogio. Aprendi que tem muito mais vida em um beijo, e ainda muita vida na espera. Aprendi a admirar a paciência e a calma e a serenidade de um orvalho que cai devagar e belo.
Aprendi muita matiz e cor entre dois pólos, e que entre o riso e a lágrima existe um milhão de sentidos. Como quem tem todo o poder do olfato aprendi que o sabor das rosas se difundem no ar. Navegar neste céu e mar que é você, com um balanço entre inseguro e certo tal me é o horizonte, pode ser. É mais do que eu previa para mim.
E quando à noite você chegar e tomar dela o calor para o seu frio, me balançar nos seus cabelos embaraçados pelo prazer e dormir no seu colo arrepio, muito me arrepio. Como um menino que é em si o mais homem dos homens por ter conhecido você mulher.
A noite chegará então vampira com você sempre nos sonhos.
Aprendi muita matiz e cor entre dois pólos, e que entre o riso e a lágrima existe um milhão de sentidos. Como quem tem todo o poder do olfato aprendi que o sabor das rosas se difundem no ar. Navegar neste céu e mar que é você, com um balanço entre inseguro e certo tal me é o horizonte, pode ser. É mais do que eu previa para mim.
E quando à noite você chegar e tomar dela o calor para o seu frio, me balançar nos seus cabelos embaraçados pelo prazer e dormir no seu colo arrepio, muito me arrepio. Como um menino que é em si o mais homem dos homens por ter conhecido você mulher.
A noite chegará então vampira com você sempre nos sonhos.
quinta-feira, 17 de dezembro de 2009
Antigos sonhos de um antigo caderno VI
A gleba da noite quente
As estrelas derretem neste céu de verão
sondam um comércio de tempo no espaço
mercado negro de primaveras
em pleno calor de veraneio
Chovem janeiros, anos inteiros
no tráfico de tempo dos buracos negros
negociando planetas com versos febris
enganam a gravidade com conversas sutis
As estrelas derretem neste céu de verão
sondam um comércio de tempo no espaço
mercado negro de primaveras
em pleno calor de veraneio
Chovem janeiros, anos inteiros
no tráfico de tempo dos buracos negros
negociando planetas com versos febris
enganam a gravidade com conversas sutis
Antigos sonhos de um antigo caderno V
A noite está quente
faz toda gente roer os dentes
entre uma virada e outra
na cama que a poeira e poeira e só
navegando pensamentos distintos
de qualquer temperatura.
faz toda gente roer os dentes
entre uma virada e outra
na cama que a poeira e poeira e só
navegando pensamentos distintos
de qualquer temperatura.
Antigos sonhos de um antigo caderno IV
Cada espaço canta
seu próprio encanto;
se recanta encostado
recosta e redobra
essa manobra recatada.
Doida-de-ver ao relento
dá-de-ré, relento todo
e põe-se a pôr dia de novo.
seu próprio encanto;
se recanta encostado
recosta e redobra
essa manobra recatada.
Doida-de-ver ao relento
dá-de-ré, relento todo
e põe-se a pôr dia de novo.
Antigos sonhos de um antigo caderno III
À o João.
neste
digo-não-digo
condizente
peço, redigo, digo: tento
arrelento, retento
ao relento desdizente da tarde vazia
em que preenche o sentido
cada vez mais aprofundado
desse teu abismo
beijo de morcego
piada sem tesão
poema reluz
porta de avião, sem brilho
em vão
tente se encontrar
nesse poema elucidário
escrito em binário, relicário
imenso estuário de palavras
de um aquele João
neste
digo-não-digo
condizente
peço, redigo, digo: tento
arrelento, retento
ao relento desdizente da tarde vazia
em que preenche o sentido
cada vez mais aprofundado
desse teu abismo
beijo de morcego
piada sem tesão
poema reluz
porta de avião, sem brilho
em vão
tente se encontrar
nesse poema elucidário
escrito em binário, relicário
imenso estuário de palavras
de um aquele João
Marcadores:
fluição,
inclassificável,
palavreado,
pr'alguém
Antigos sonhos de um antigo caderno II
Desvaneio
Tudo se desvanece
e chove
jun
to
co
m a
ch
uv
a
Cada gota, uma a uma
- essas maestras da poesia -
tudo se desvanece
Levam consigo o pranto
deixam seu encanto
que ch
ove
ju
nto
com
a
c
huv
a
Proíbe o proibido
água no umbigo
qu
e
chove
jun
to
co
m a
c
hu
va
A lua da cidade
que se reflete na rua
tudo se desvanece
Os passos escorregadios
chovem também e se
esquecem
jun
to
c
om
a
c
hu
v
a
A janela derrete
e com ela a saudade se esquece
Tudo se desvanece
e
cho
v
e
junt
o
co
m
a
c
h
u
v
a
Tudo se desvanece
e chove
jun
to
co
m a
ch
uv
a
Cada gota, uma a uma
- essas maestras da poesia -
tudo se desvanece
Levam consigo o pranto
deixam seu encanto
que ch
ove
ju
nto
com
a
c
huv
a
Proíbe o proibido
água no umbigo
qu
e
chove
jun
to
co
m a
c
hu
va
A lua da cidade
que se reflete na rua
tudo se desvanece
Os passos escorregadios
chovem também e se
esquecem
jun
to
c
om
a
c
hu
v
a
A janela derrete
e com ela a saudade se esquece
Tudo se desvanece
e
cho
v
e
junt
o
co
m
a
c
h
u
v
a
Antigos sonhos de um antigo caderno I
Alguns problemas por falta de identificação com a matéria.
Falta o barulho da máquina de escrever
para embalar os sonhos deste poema
caíamos nós no embalo da rede,
amparada em tradicionalíssimos
festivais de celebração
da futilidade humana...
Embora roubamos robalos
é para matar a fome.
Sentimo-nos traídos
pela
própria
carne
O caderno grita suas decepções mas ninguém o ouve!
na rua lotada
cheirando a álcool e meu vômito
somos traduzidos num mingau de erros
na elaboração concreta de uma arma
mais eficaz contra nossos próprios defeitos
A poesia é meu abrigo
onde me refugio de mim mesmo e
de todas as possibilidades de me perder
da minha própria humanidade
quem se importa quem sou
Ninguém se importa com alguém
e quem remói a sua própria frustração
?
A tinta me surpreende por sua fração
A língua pela aliteração
literalmente
estamos nos perdendo de ti, Caeiro
Falta o barulho da máquina de escrever
para embalar os sonhos deste poema
caíamos nós no embalo da rede,
amparada em tradicionalíssimos
festivais de celebração
da futilidade humana...
Embora roubamos robalos
é para matar a fome.
Sentimo-nos traídos
pela
própria
carne
O caderno grita suas decepções mas ninguém o ouve!
na rua lotada
cheirando a álcool e meu vômito
somos traduzidos num mingau de erros
na elaboração concreta de uma arma
mais eficaz contra nossos próprios defeitos
A poesia é meu abrigo
onde me refugio de mim mesmo e
de todas as possibilidades de me perder
da minha própria humanidade
quem se importa quem sou
Ninguém se importa com alguém
e quem remói a sua própria frustração
?
A tinta me surpreende por sua fração
A língua pela aliteração
literalmente
estamos nos perdendo de ti, Caeiro
quarta-feira, 9 de dezembro de 2009
Tevê e vê.
estou chocado com uma piada que li
ah não não era piada era verdade e é
o jeito mesmo é cobrar
quem sabe
olhos internos na gaveta homicida
vasculha culha culha
velha velha idéia
esculhamba
nó de garganta
que nos faz calados
frente ao ódio inerte
que a televisão mostra e não vê
ah não não era piada era verdade e é
o jeito mesmo é cobrar
quem sabe
olhos internos na gaveta homicida
vasculha culha culha
velha velha idéia
esculhamba
nó de garganta
que nos faz calados
frente ao ódio inerte
que a televisão mostra e não vê
domingo, 6 de dezembro de 2009
Controle.
Mãos inchadas
e olhos doloridos do sono
Acordo como quem faz guerra...
Fazer acordo com quem faz guerra
à espera do ano, fica pro ano
a vida sem presente
O melhor presente é fazer,
às 12:30, o que você nasceu pra fazer
neste país.
e olhos doloridos do sono
Acordo como quem faz guerra...
Fazer acordo com quem faz guerra
à espera do ano, fica pro ano
a vida sem presente
O melhor presente é fazer,
às 12:30, o que você nasceu pra fazer
neste país.
quinta-feira, 19 de novembro de 2009
Insônia
À noite
a ansie
dade vem
como de
pára-
q
u
e
das
(À noite
num êx
tase
de gozo)
A hélice
de um
heliinseto
repousa.
O dia acorda amanhã cedo
O dia acorda quando a noite dorme no horizonte
a ansie
dade vem
como de
pára-
q
u
e
das
(À noite
num êx
tase
de gozo)
A hélice
de um
heliinseto
repousa.
O dia acorda amanhã cedo
O dia acorda quando a noite dorme no horizonte
segunda-feira, 2 de novembro de 2009
Míope a lua
A lua era como o poema da cabeça
A lua não era poesia apenas era lua
A lua não era sem ser o brilho amarelo das estrelas
A lua era a estrela mais brilhante
Apaguem as luzes dessa cidade
que a lua engole
- a lua era lua-de-despedida -
Um Titã esboçado à boca do céu
Será Selene procurando por Endimião?
(ocultas as suas cinquenta crias sob a sua fase mais potente...)
Preso à beleza do contorno e do contraste
perco o bonito do desfoque
causa tuas lentes minha cegueira
do mundo que é belo e nem sei
Me descreve? como prum cego místico
e velho das coisas como é o toque natural
entre a face da lua e a noite
que se misturam em um outro tom
este o qual nós dos olhos sãos
vivemos sem ver
A lua não era poesia apenas era lua
A lua não era sem ser o brilho amarelo das estrelas
A lua era a estrela mais brilhante
Apaguem as luzes dessa cidade
que a lua engole
- a lua era lua-de-despedida -
Um Titã esboçado à boca do céu
Será Selene procurando por Endimião?
(ocultas as suas cinquenta crias sob a sua fase mais potente...)
Preso à beleza do contorno e do contraste
perco o bonito do desfoque
causa tuas lentes minha cegueira
do mundo que é belo e nem sei
Me descreve? como prum cego místico
e velho das coisas como é o toque natural
entre a face da lua e a noite
que se misturam em um outro tom
este o qual nós dos olhos sãos
vivemos sem ver
Lua meu pagã.
Nunca tinha tanto ao eu selvagem
Ao som dos atabaques
No a
fro
rí
t
mo
Bra
sil
Que era mais
era uma bandeira
a bandeira éramos nós
Falava já d'antes até conforme, pois que sim, todavia
nunca tinha pertencido ao que dizia
e dizia assim, quase querendo acreditar
Mas a lua de Ogum que é também São Jorge e o nome de meu santo e minha tristeza pagã
que antes me possuía sem eu sabê-la
A lua que é água prata congelada em torno do céu
sei-la como natural e humano
Com a razão e vóz que sou sendo, o grito animal que clama novamente a terra e vida e o bicho a que infinitamente pertenço
Ao som dos atabaques
No a
fro
rí
t
mo
Bra
sil
Que era mais
era uma bandeira
a bandeira éramos nós
Falava já d'antes até conforme, pois que sim, todavia
nunca tinha pertencido ao que dizia
e dizia assim, quase querendo acreditar
Mas a lua de Ogum que é também São Jorge e o nome de meu santo e minha tristeza pagã
que antes me possuía sem eu sabê-la
A lua que é água prata congelada em torno do céu
sei-la como natural e humano
Com a razão e vóz que sou sendo, o grito animal que clama novamente a terra e vida e o bicho a que infinitamente pertenço
sexta-feira, 23 de outubro de 2009
Abrir o verbo
A abertura do verbo é uma cirurgia linguística.
O único verbo que é qualquer coisa de truncado menos de aberto, é o verbo que soa som-ressonante na cidade do Brasil. O que me faz duvidar que seja português...
(...)
pra rasgar o verbo logo de cara
fora da cidade
vem o ano
que vem
agora
escrevê, fa
zê, po
e
tá Dá,
dá qué,
fa
zê fa
dá
e
poe
tá
já na cidade
vem o ano
que
viria veio
mas não
foi ontem
foi
mas não
veio
ca
dê cadu
co me
çá
ranhá
pra
brí o ver
bo des
de
já
Leandro Paixão e Rafael Jambas
O único verbo que é qualquer coisa de truncado menos de aberto, é o verbo que soa som-ressonante na cidade do Brasil. O que me faz duvidar que seja português...
(...)
pra rasgar o verbo logo de cara
fora da cidade
vem o ano
que vem
agora
escrevê, fa
zê, po
e
tá Dá,
dá qué,
fa
zê fa
dá
e
poe
tá
já na cidade
vem o ano
que
viria veio
mas não
foi ontem
foi
mas não
veio
ca
dê cadu
co me
çá
ranhá
pra
brí o ver
bo des
de
já
Leandro Paixão e Rafael Jambas
quarta-feira, 21 de outubro de 2009
Sobre som e silêncio (primeiro desenvolvimento)
A palavra é a quebra do silêncio que é inércia de um eco surdo que se repete e repete e repete em nada que se movimenta. O silêncio envolve todos os sons e signos, é o conforto das palavras. Na sua ausência-mais-que-presente o silêncio paira no te-dizer te amo, e o amo é o rompimento do vazioio que era amor em princípio.
A palavra é turbulência do vazio-cheio perfeito. A palavra é o serzinho humano que travessa um mar horizonte de existência.
A palavra é turbulência do vazio-cheio perfeito. A palavra é o serzinho humano que travessa um mar horizonte de existência.
Leituras.
Tem uma pessoa lendo um livro.
E dentro da infinidão contraste tudo nada
tem uma pessoa que lê um livro,
onde uma pessoa lê um livro,
onde uma pessoa lê um livro,
onde uma pessoa lê um livro,
onde uma pessoa lê um livro,
.
.
.
Uma infinitude de pessoas leêm-se mutua-infinitamente.
E dentro da infinidão contraste tudo nada
tem uma pessoa que lê um livro,
onde uma pessoa lê um livro,
onde uma pessoa lê um livro,
onde uma pessoa lê um livro,
onde uma pessoa lê um livro,
.
.
.
Uma infinitude de pessoas leêm-se mutua-infinitamente.
Marcadores:
concretismo,
metalíngua,
minimalista,
pr'alguém,
reflexão
segunda-feira, 19 de outubro de 2009
quinta-feira, 15 de outubro de 2009
Saber-se homem depois de ter-se perdido como homem. (por enquanto sem título)
No banheiro público tem um zunido agudo quando a urina toca a louça e a palavra branca que assusta. Eu tenho medo da palavra branca aguda louça, chapela, interioriza. Passaram vinte, não! uma hora! não! nem um minuto a mais. Mas o zunido congela o tempo. E a louça. Sentado sobre o momento de dois ou mais segundos um fato. Do respingo cobre-dourado, na verdade amarelo-neon, da urina na louça e o silêncio de um zumbido! É o tempo que se tem às vezes para respirar. Mesmo que seja o ar sujo da louça mijada. E não exige nenhum ponto final, em todo caso.
Foi se aprofundando, mergulhando como sendo a louça branca e lisa, impenetrável de palavras. Conhece o interior de todos, a sua filosofia. Sabe quem olha para o lado no banheiro mas olha toda vez sempre a frente sempre, e tem medo de palavras brancas. As palavras brancas são todas as cores que não formam nenhuma, a presença ou ausência de todas. Reflete o que lhe é imposto, mas é impenetrável. Como a louça. Mijam nele. Ele não tem identidade, é branco. É um rato doméstico, branco e bonito, mas impenetrável, nunca saberão o que se passa dentro dele. Ingênuo e não. Todo aquele cheiro o envolvia e adimirava, todo sem cor. E era ali como numa bolha - suja - que respirava. O mundo parecia tão real ali, e o rato doméstico se conectava com um passado ancestral de bueiro. Seu rabo quase chegava a crescer. Mas respirava e no momento que o ar lhe tocava o nariz, naquele instante, não despertava olfato, pois o fluxo invariável como que empurrava o cheiro para longe, até que uma nova onda de ar lhe tocasse o fucinho. Rabo não criava não, mas que tinha bigode tinha. E sentia toda a pureza daquela atmosfera. E ali não tinha medo. A porcelana não lhe ia julgar se sim ou se não, e além do que, também era ele uma porcelana, a do lado, a não mijada ainda, olhando sempre em frente em sua marcha estática. Sendo uma porcelana de mictório ainda não tinha a preocupação das privadas com as fezes e todo o lixo lançado dentro, até o momento em que - um dia - se daria conta de que todas as porcelanas são interligadas pelo interno das paredes e que por dentro de todos os concretos se tocam. Quer dizer, o que uma recebe a outra recebe imediatamente. Talvez não o sinta, mas recebe. Nesse espaço entre o tempo e a bolha de pensamento em que se encontrava não sentiu-se mal. Sentiu-se homem, humano. Sabia o que era a louça. Conhecia o homem. Sabia de onde vinha o lixo. Estava dentro do lixo, como homem, não como louça.
Seu telefone toca e o desperta. Já terminara o que tinha ido fazer naquele banheiro e se deu conta de que estava imóvel em posição de como se estivesse mijando por um longo período, que durou dois ou mais segundos. A porcelana tem a sua própria cronologia. Assim também o homem. Seu telefone o faz se sentir mais porcelana que antes. E talvez ele tenha se dado conta, ou talvez não, o que tenha sido dito pelo seu rato interior mais ancestral. Bicho que vive em bando, se aquecendo em grupo no interior dos esgotos. Talvez isso o tenha tornado mais homem. Talvez isso teria ficado claro se ele tivesse jogado o seu telefone no lixo. Mas não o fez, naquele momento não o fez.
Foi se aprofundando, mergulhando como sendo a louça branca e lisa, impenetrável de palavras. Conhece o interior de todos, a sua filosofia. Sabe quem olha para o lado no banheiro mas olha toda vez sempre a frente sempre, e tem medo de palavras brancas. As palavras brancas são todas as cores que não formam nenhuma, a presença ou ausência de todas. Reflete o que lhe é imposto, mas é impenetrável. Como a louça. Mijam nele. Ele não tem identidade, é branco. É um rato doméstico, branco e bonito, mas impenetrável, nunca saberão o que se passa dentro dele. Ingênuo e não. Todo aquele cheiro o envolvia e adimirava, todo sem cor. E era ali como numa bolha - suja - que respirava. O mundo parecia tão real ali, e o rato doméstico se conectava com um passado ancestral de bueiro. Seu rabo quase chegava a crescer. Mas respirava e no momento que o ar lhe tocava o nariz, naquele instante, não despertava olfato, pois o fluxo invariável como que empurrava o cheiro para longe, até que uma nova onda de ar lhe tocasse o fucinho. Rabo não criava não, mas que tinha bigode tinha. E sentia toda a pureza daquela atmosfera. E ali não tinha medo. A porcelana não lhe ia julgar se sim ou se não, e além do que, também era ele uma porcelana, a do lado, a não mijada ainda, olhando sempre em frente em sua marcha estática. Sendo uma porcelana de mictório ainda não tinha a preocupação das privadas com as fezes e todo o lixo lançado dentro, até o momento em que - um dia - se daria conta de que todas as porcelanas são interligadas pelo interno das paredes e que por dentro de todos os concretos se tocam. Quer dizer, o que uma recebe a outra recebe imediatamente. Talvez não o sinta, mas recebe. Nesse espaço entre o tempo e a bolha de pensamento em que se encontrava não sentiu-se mal. Sentiu-se homem, humano. Sabia o que era a louça. Conhecia o homem. Sabia de onde vinha o lixo. Estava dentro do lixo, como homem, não como louça.
Seu telefone toca e o desperta. Já terminara o que tinha ido fazer naquele banheiro e se deu conta de que estava imóvel em posição de como se estivesse mijando por um longo período, que durou dois ou mais segundos. A porcelana tem a sua própria cronologia. Assim também o homem. Seu telefone o faz se sentir mais porcelana que antes. E talvez ele tenha se dado conta, ou talvez não, o que tenha sido dito pelo seu rato interior mais ancestral. Bicho que vive em bando, se aquecendo em grupo no interior dos esgotos. Talvez isso o tenha tornado mais homem. Talvez isso teria ficado claro se ele tivesse jogado o seu telefone no lixo. Mas não o fez, naquele momento não o fez.
segunda-feira, 28 de setembro de 2009
Domingo
Três mulheres dançam na sombra. Paira a fumaça de um olhar,
neste dia Domingo, tão pacato
tão calmo, calmo, calminho, carinho...
Ninguém anda com pressa, ninguém anda,
ninguém tem pressa
Pressa, pressa
Pressa
Pressa
Presa
.
.
.
A Pressa é uma linha rápida vocálica que atravessa verticalmente o poema
Alguém passa correndo através da tarde vazia e calma
- fumaças e nuvens compõem o céu -
O céu passa devagar,
Empurrado por ventos invisíveis,
desenhando com água e gelo,
diz o rítmo do pensar, do passar, e o pensamento conversa... versa?
O Domingo se transforma em pássaro que canta voa e pia
Pia tal o menino que passa correndo
Mas não estraga o poema
Ele é o poema quando grita
Ele está o poema
quando canta pia rodopia
E dança
E canta
E torna rodopia
E me arrepia, cada vez mais rasante, descendo, como uma queda, nas linhas do poema.
Enquanto na terra as formigas
somente elas
movimentam a monotonia do Domingo.
neste dia Domingo, tão pacato
tão calmo, calmo, calminho, carinho...
Ninguém anda com pressa, ninguém anda,
ninguém tem pressa
Pressa, pressa
Pressa
Pressa
Presa
.
.
.
A Pressa é uma linha rápida vocálica que atravessa verticalmente o poema
Alguém passa correndo através da tarde vazia e calma
- fumaças e nuvens compõem o céu -
O céu passa devagar,
Empurrado por ventos invisíveis,
desenhando com água e gelo,
diz o rítmo do pensar, do passar, e o pensamento conversa... versa?
O Domingo se transforma em pássaro que canta voa e pia
Pia tal o menino que passa correndo
Mas não estraga o poema
Ele é o poema quando grita
Ele está o poema
quando canta pia rodopia
E dança
E canta
E torna rodopia
E me arrepia, cada vez mais rasante, descendo, como uma queda, nas linhas do poema.
Enquanto na terra as formigas
somente elas
movimentam a monotonia do Domingo.
terça-feira, 22 de setembro de 2009
Resposta
Tão humano e egoísta que sou,
um egoísmo que é fruto de uma liberdade que não quero ver perdida
e ao mesmo tempo desconheço, a liberdade moderna! tão solitária que se prega!
Não conheço a liberdade que quero e tenho mesmo sem saber.
Tão humana e frágil que te tenho, como palavras em um papel
que poderia ser rasgado sem o mínimo esforço, a não ser por me envolver
e exigir de mim braços do tamanho do mundo e do meu próprio cru
do tamanho do meu cruel e imperfeito, do meu lado escondido de mim.
Nada mais é idealização, nem nunca foi... tudo real. hoje real e verdadeiro.
Ao retirar de dentro tudo o que é dor e é tão nosso, o que sobra é um lindo céu azul.
fica um poema que é feito de mais elementos que apenas palavras.
Ao retiramos a casca, podemos ter a ferida aberta e sabemos enfim que lá dentro há vida! Não há necrose onde há vida, pois o sangue é como o movimento da própria vida.
Invejarmos um ao outro nesse sentido é querermos completarmos como uma única experiência. E vivendo nessa liberdade compartilhada sabemos ser o mundo uma única experiência, na qual temos do fundo-interior a contribuição individual do avesso de cada impulso, cada pulso de vida que admiramos em sintonia.
Nada acaba, portanto nem sequer atinge um meio...
um egoísmo que é fruto de uma liberdade que não quero ver perdida
e ao mesmo tempo desconheço, a liberdade moderna! tão solitária que se prega!
Não conheço a liberdade que quero e tenho mesmo sem saber.
Tão humana e frágil que te tenho, como palavras em um papel
que poderia ser rasgado sem o mínimo esforço, a não ser por me envolver
e exigir de mim braços do tamanho do mundo e do meu próprio cru
do tamanho do meu cruel e imperfeito, do meu lado escondido de mim.
Nada mais é idealização, nem nunca foi... tudo real. hoje real e verdadeiro.
Ao retirar de dentro tudo o que é dor e é tão nosso, o que sobra é um lindo céu azul.
fica um poema que é feito de mais elementos que apenas palavras.
Ao retiramos a casca, podemos ter a ferida aberta e sabemos enfim que lá dentro há vida! Não há necrose onde há vida, pois o sangue é como o movimento da própria vida.
Invejarmos um ao outro nesse sentido é querermos completarmos como uma única experiência. E vivendo nessa liberdade compartilhada sabemos ser o mundo uma única experiência, na qual temos do fundo-interior a contribuição individual do avesso de cada impulso, cada pulso de vida que admiramos em sintonia.
Nada acaba, portanto nem sequer atinge um meio...
quarta-feira, 16 de setembro de 2009
Soneto amordaçado.
Nada a nada
sou esse intenso indecente
indefinidamente...
O poema, apenas apalpado
apalavreado, um amálgama
deterioração da palavra.
Romanceado um momento
um instante fixado
em a-b-b-a letrado
vale ao menos um soneto
Inverso de pé virado
emoção alardeado, reviravolta
estilhaçado, recolho-me a mim
para em mim não acabar machucado.
sou esse intenso indecente
indefinidamente...
O poema, apenas apalpado
apalavreado, um amálgama
deterioração da palavra.
Romanceado um momento
um instante fixado
em a-b-b-a letrado
vale ao menos um soneto
Inverso de pé virado
emoção alardeado, reviravolta
estilhaçado, recolho-me a mim
para em mim não acabar machucado.
sexta-feira, 11 de setembro de 2009
Pra quê doer?
Podemos brigar eternamente
mas para quê, se sabemos sermos
estarmos sempre afim
estarmos e sermos sempre amigos
companheiros enluarados da terra
num cio que não cessa.
Ciúmes pra quê? se a terra é tão banal
e maravilhosas são as cores do céu
e a vista da pedra branca tão mágica
da terra de fadas e duendes, sob escrúpulos
e pudores animais, são instintos que a gente não vê...
e são posses que nunca sorvemos
porque não possuímos nunca senão
o que é matéria um do outro.
Por que não possuirmos senão a liberdade de querermos
e estarmos sempre afim, do que nos é tão não igual
seguirmos passos um beijo de Caetano
e termos sempre a não briga, o não motivo e o não chão
se nunca houve a queda, já que a queda de um mimo
é a ferida do orgulho que não cicatriza
em nenhuma e todas as mulheres continuamente
se o amor não morre dentro dos nossos olhos
e o carinho sempre emana de nossa pele fina.
Por que pegamos partículas de drama dispersas no ar
para produzirmos uma prosa sem vida
se em nossas passadas e futuras pegadas estão as palavras para que possamos compor uma poesia?
Pra quê sofrermos com a sintaxe louca do sentimento,
se podemos nos alegrar com a semântica de um beijo?
mas para quê, se sabemos sermos
estarmos sempre afim
estarmos e sermos sempre amigos
companheiros enluarados da terra
num cio que não cessa.
Ciúmes pra quê? se a terra é tão banal
e maravilhosas são as cores do céu
e a vista da pedra branca tão mágica
da terra de fadas e duendes, sob escrúpulos
e pudores animais, são instintos que a gente não vê...
e são posses que nunca sorvemos
porque não possuímos nunca senão
o que é matéria um do outro.
Por que não possuirmos senão a liberdade de querermos
e estarmos sempre afim, do que nos é tão não igual
seguirmos passos um beijo de Caetano
e termos sempre a não briga, o não motivo e o não chão
se nunca houve a queda, já que a queda de um mimo
é a ferida do orgulho que não cicatriza
em nenhuma e todas as mulheres continuamente
se o amor não morre dentro dos nossos olhos
e o carinho sempre emana de nossa pele fina.
Por que pegamos partículas de drama dispersas no ar
para produzirmos uma prosa sem vida
se em nossas passadas e futuras pegadas estão as palavras para que possamos compor uma poesia?
Pra quê sofrermos com a sintaxe louca do sentimento,
se podemos nos alegrar com a semântica de um beijo?
Chuva de vidro
Um calor tão humano de errar
produzir estar deixar cuidar do que é seu
guardar como um reino marginal
fora de si e de tudo
sobre os telhados tão céu
abuelita, boca de bueiro, buraco negro
entrada incipiente de mar
osalardendopeleadentro
um recipiente hermético
fechado coração, cerrado
um balanço de mar balanço
de rede enquanto te expõem as veias
no mar aberto sobre as ruínas
do que não é sertão
nadando contra a profecia
rompendo os tendões da poesia
sob um choro tão ralo de uma tristeza profunda
quanto a chuva rala
com o ar enquanto desce fina-cortante
como choro de vidro
atravessado a gritos e palavras
decifradas com a raiva
sem razão noção perdão
um poema inteiro retirado
do saco de um lixo contagioso
de uma sala de sutura
onde se costuram emoções.
produzir estar deixar cuidar do que é seu
guardar como um reino marginal
fora de si e de tudo
sobre os telhados tão céu
abuelita, boca de bueiro, buraco negro
entrada incipiente de mar
osalardendopeleadentro
um recipiente hermético
fechado coração, cerrado
um balanço de mar balanço
de rede enquanto te expõem as veias
no mar aberto sobre as ruínas
do que não é sertão
nadando contra a profecia
rompendo os tendões da poesia
sob um choro tão ralo de uma tristeza profunda
quanto a chuva rala
com o ar enquanto desce fina-cortante
como choro de vidro
atravessado a gritos e palavras
decifradas com a raiva
sem razão noção perdão
um poema inteiro retirado
do saco de um lixo contagioso
de uma sala de sutura
onde se costuram emoções.
Do fundo do meu polegar opositor.
Seria como sacanagem
vamos ousar, vamos lutar brigar
vamos beber
conceder loucuras
vamos saltar pela porta de vidro
abrir o corpo para a liberdade
vamos fazer um pacto com o diabo
que já vivemos em antecedência
vamos fazer a literatura subversiva ao nosso extremo esquerdo
e extremo direito lado absurdo
produzir sem leis, errar, beber, sei lá
como já nem sei escrever.
Faço o cérebro pensar mais devagar
para acompanhar o movimento de um só braço rompido
nos tempos de crise que crescemos tanto
nossa dor tão eunuca
castrada em osso no osso pelo osso
ao fundo regaço do osso anestesiado
gago de raiva e chorando bestialidades.
Somos tão animais...
somos tão animais em forma do mundo
em busca do mundo
tão triviais...
invisíveis previsíveis
indecentes... submissos
ao tão cru intelecto
dominados pelo polegar opositor
nosso verdadeiro fator evolutivo.
Os tempos não mudam
a história cíclica.
o poema catarse
revolta depurada
em forma de remédio
como droga da tristeza
uma sala de soro de 80 anos
O tempo preso dentro de uma ampulheta
e fora dele o verso livre voraz.
vamos ousar, vamos lutar brigar
vamos beber
conceder loucuras
vamos saltar pela porta de vidro
abrir o corpo para a liberdade
vamos fazer um pacto com o diabo
que já vivemos em antecedência
vamos fazer a literatura subversiva ao nosso extremo esquerdo
e extremo direito lado absurdo
produzir sem leis, errar, beber, sei lá
como já nem sei escrever.
Faço o cérebro pensar mais devagar
para acompanhar o movimento de um só braço rompido
nos tempos de crise que crescemos tanto
nossa dor tão eunuca
castrada em osso no osso pelo osso
ao fundo regaço do osso anestesiado
gago de raiva e chorando bestialidades.
Somos tão animais...
somos tão animais em forma do mundo
em busca do mundo
tão triviais...
invisíveis previsíveis
indecentes... submissos
ao tão cru intelecto
dominados pelo polegar opositor
nosso verdadeiro fator evolutivo.
Os tempos não mudam
a história cíclica.
o poema catarse
revolta depurada
em forma de remédio
como droga da tristeza
uma sala de soro de 80 anos
O tempo preso dentro de uma ampulheta
e fora dele o verso livre voraz.
quinta-feira, 20 de agosto de 2009
Chuva e tango.
Saltos no telhado
Saltos, slatos, sltaos, sltoas, sltosa,
Saltos como num balé onírico na fluidez da madrugada
Numa erudição do movimento
Saltos, saltos, saltos,
Conformes consigo, com uma conguência eucléica de noite.
Um remorso de um salto
Ainda um salto, como um toc no telhado,
Como uma maçaneta da água estática no céu
Moderno, exaltação do corpo movimento
Uma expressão de arte em ser, de ser em,
Arte inspiração de uma expressividade tônica
Sonhando com um ronco de Ciello
No compasso rítmico que é a pulsação do sangue
Do corpo-sólido-imagem,
Nos saltos do balé do telhado.
Dança louca e barulhenta, como murmúrios,
Rumores de um tango coreografado em beijo no escuro
Profunda pele que é como um toque
Em um Piazzola dançante, o tango menino,
Preto e branco, como um xadrez, lúdicos cavalos!
Na esfolação do tango, na evolução do tango, Tango!
Arranha como uma sonoridade de cio
Um ócio ocioso nos saltos do tango do telhado, erótico,
Como uma sugestão às luzes do teatro
Rejeição da mente no brotamento do palco
Só o golpe egoísta dos saltos, do balé dançado
pelas gotas de chuva que caem da madrugada.
Saltos, slatos, sltaos, sltoas, sltosa,
Saltos como num balé onírico na fluidez da madrugada
Numa erudição do movimento
Saltos, saltos, saltos,
Conformes consigo, com uma conguência eucléica de noite.
Um remorso de um salto
Ainda um salto, como um toc no telhado,
Como uma maçaneta da água estática no céu
Moderno, exaltação do corpo movimento
Uma expressão de arte em ser, de ser em,
Arte inspiração de uma expressividade tônica
Sonhando com um ronco de Ciello
No compasso rítmico que é a pulsação do sangue
Do corpo-sólido-imagem,
Nos saltos do balé do telhado.
Dança louca e barulhenta, como murmúrios,
Rumores de um tango coreografado em beijo no escuro
Profunda pele que é como um toque
Em um Piazzola dançante, o tango menino,
Preto e branco, como um xadrez, lúdicos cavalos!
Na esfolação do tango, na evolução do tango, Tango!
Arranha como uma sonoridade de cio
Um ócio ocioso nos saltos do tango do telhado, erótico,
Como uma sugestão às luzes do teatro
Rejeição da mente no brotamento do palco
Só o golpe egoísta dos saltos, do balé dançado
pelas gotas de chuva que caem da madrugada.
terça-feira, 18 de agosto de 2009
Estar humano.
A madrugada me despedaça
numa noite sem sono
sem sem sem sem sem
fundo da vida
rumores do vaticano
do inferno sem despedida
o planeta terra fora de sua própria órbita.
Arbitrário da saudade
o sofrimento é sempre uma escolha
- a dor não o sofrimento sim -
e me espedaço sobre o lenço de papel molhado
entro e me escondo na gaveta
dos meus próprios pensamentos
devasso! É uma devastação do equilíbrio
como o próprio sofrimento devastado
explorado no seu ínfimo colar de cólera
coibido de pensar de outra forma
o impedimento de se pensar
sem o mistério da madrugada.
Versos esfacelados, acéfalos
como a massa endoidecida, tresvairada
humanidade, grita louca dentro de mim
produz arte produz arte em frangalhos
como lágrimas de um sol vermelho vermelho
como o ultra-lilás e a outra ultra-cor
qualquer que seja o verso, sempre a sua ruína
sempre a sua dor é o que transparece
alumia como um cadeeiro imaginário
a sombra da sombra no quarto da madrugada.
Enquanto isso correm nus
todos os outros animais
cantando o prazer
que é a natureza
sem complicações
da vida
que é não ser humano.
numa noite sem sono
sem sem sem sem sem
fundo da vida
rumores do vaticano
do inferno sem despedida
o planeta terra fora de sua própria órbita.
Arbitrário da saudade
o sofrimento é sempre uma escolha
- a dor não o sofrimento sim -
e me espedaço sobre o lenço de papel molhado
entro e me escondo na gaveta
dos meus próprios pensamentos
devasso! É uma devastação do equilíbrio
como o próprio sofrimento devastado
explorado no seu ínfimo colar de cólera
coibido de pensar de outra forma
o impedimento de se pensar
sem o mistério da madrugada.
Versos esfacelados, acéfalos
como a massa endoidecida, tresvairada
humanidade, grita louca dentro de mim
produz arte produz arte em frangalhos
como lágrimas de um sol vermelho vermelho
como o ultra-lilás e a outra ultra-cor
qualquer que seja o verso, sempre a sua ruína
sempre a sua dor é o que transparece
alumia como um cadeeiro imaginário
a sombra da sombra no quarto da madrugada.
Enquanto isso correm nus
todos os outros animais
cantando o prazer
que é a natureza
sem complicações
da vida
que é não ser humano.
domingo, 9 de agosto de 2009
Poeta e leitor da despedida.
O que é o crescimento senão a despedida
E o que é a despedida senão o sonho
a casa vazia e um beijo roxo
como aquele do livro empoeirado
empoleirado na prateleira gasta
pela mensagem do tempo que se materializa
em bolinhas nas roupas mais antigas.
Como esse olhar que fica espraiado
espalhado pela superfície do rosto molhado
por lágrimas que não têm, difíceis e ingênuas,
que não é choro de tristeza ou alegria,
mas um pranto lírico que é o parto das palavras
que alguém chamou Maiêutica.
A despedida cria palavras.
E o crescer é sempre uma coisa nova
como dor de alongamento, estica
uma distância de nós mesmos para então nos tornarmos outro
que é nós mesmos mais ainda, desconhecido...
Crescer é um choro sem lágrimas.
Crescer é um pensamento que não pára
é como uma paranóia humana, um desalento
desatino vez ou outra uma comédia
droga e remédio, é causa e consequência
de sermos nós mesmos.
Crescer é um medo de sermos nós mesmos.
E sermos nós mesmos é ser uma lagoa toda crepúsculo,
toda noite, toda água, toda universo.
Toda espelho para quem vê do lado de fora,
como pertencimento,
mas toda profundidade pra quem vê do lado de dentro,
como existir.
É ser poeta e leitor da nossa própria poesia que é a vida.
E o que é a despedida senão o sonho
a casa vazia e um beijo roxo
como aquele do livro empoeirado
empoleirado na prateleira gasta
pela mensagem do tempo que se materializa
em bolinhas nas roupas mais antigas.
Como esse olhar que fica espraiado
espalhado pela superfície do rosto molhado
por lágrimas que não têm, difíceis e ingênuas,
que não é choro de tristeza ou alegria,
mas um pranto lírico que é o parto das palavras
que alguém chamou Maiêutica.
A despedida cria palavras.
E o crescer é sempre uma coisa nova
como dor de alongamento, estica
uma distância de nós mesmos para então nos tornarmos outro
que é nós mesmos mais ainda, desconhecido...
Crescer é um choro sem lágrimas.
Crescer é um pensamento que não pára
é como uma paranóia humana, um desalento
desatino vez ou outra uma comédia
droga e remédio, é causa e consequência
de sermos nós mesmos.
Crescer é um medo de sermos nós mesmos.
E sermos nós mesmos é ser uma lagoa toda crepúsculo,
toda noite, toda água, toda universo.
Toda espelho para quem vê do lado de fora,
como pertencimento,
mas toda profundidade pra quem vê do lado de dentro,
como existir.
É ser poeta e leitor da nossa própria poesia que é a vida.
quinta-feira, 6 de agosto de 2009
Aos nossos moldes.
Já briguei nesta rua
com alguém, não sei
minha alma? truculenta
um passante um mendigo
- por aceitar mais facilmente que eu: ser -
uma raposa que corria por entre os galhos
da árvore do cemitério
com a árvore e com o cemitério
e com os fantasmas assombrados
que rondam mundo afora sem realmente achar saída - que desespero!
Já brigamos nessa rua,
todos nós, humanidade! inculta, oculta, difusa
diariamente confusa na sua própria negação
à mim, humanidade, pouco me importa
que passo tal passarinho
tanto com passos curtos ou longos
nem sei mais, mas já brigamos
e ainda brigam, as pessoas de lá,
como se fossem se salvar algum dia
de serem também eles roídos pela aceitação da verdade - como é difícil!
(Ingênuos! alegremente ingênuos são
os pássaros da minha janela que não brigam
nem nunca brigarão - a não ser por amor
que por este vale a morte de um enleio: o canto)
Receio pois que um dia paremos de brigar
tão confusos, tão perdidos na nossa ignorância
já briguei, já brigamos,
como a morte da mocidade perdida
no vazio concreto e abstrato - da nossa ignorância, breve mas feliz...
dos nossos moldes, como uma imposição
desde o berço pertencer, subjulgar a nossa verdadeira felicidade
a fim de pertencer! como sacrificar uma loucura
para pertencer - e talvez a loucura fosse a mais saudável das verdades
indolor pura infinitamente liberdade. Liberdade!
Para quê enfim, pertencer?
Talvez para brigar? - só brigam os que pertencem
E para quê brigar se nem sabemos da nossa própria (in)felicidade
como um destino comum enquadrar-se numa refletiva
inflexiva paraplérgica invessa disléptica - absurdo!
Para quê falar de mim, se tudo e todos ao meu entorno serão sempre entorno?
Entorno! Que te interessa a minha alma truculenta? e minha abnegada poesia
que não satisfaz? Por que evitas o amor? Por quê? Por que respiras? tu que vives tão mal em meio ao tiroteio eterno - interno - que é este viver de gente...
com alguém, não sei
minha alma? truculenta
um passante um mendigo
- por aceitar mais facilmente que eu: ser -
uma raposa que corria por entre os galhos
da árvore do cemitério
com a árvore e com o cemitério
e com os fantasmas assombrados
que rondam mundo afora sem realmente achar saída - que desespero!
Já brigamos nessa rua,
todos nós, humanidade! inculta, oculta, difusa
diariamente confusa na sua própria negação
à mim, humanidade, pouco me importa
que passo tal passarinho
tanto com passos curtos ou longos
nem sei mais, mas já brigamos
e ainda brigam, as pessoas de lá,
como se fossem se salvar algum dia
de serem também eles roídos pela aceitação da verdade - como é difícil!
(Ingênuos! alegremente ingênuos são
os pássaros da minha janela que não brigam
nem nunca brigarão - a não ser por amor
que por este vale a morte de um enleio: o canto)
Receio pois que um dia paremos de brigar
tão confusos, tão perdidos na nossa ignorância
já briguei, já brigamos,
como a morte da mocidade perdida
no vazio concreto e abstrato - da nossa ignorância, breve mas feliz...
dos nossos moldes, como uma imposição
desde o berço pertencer, subjulgar a nossa verdadeira felicidade
a fim de pertencer! como sacrificar uma loucura
para pertencer - e talvez a loucura fosse a mais saudável das verdades
indolor pura infinitamente liberdade. Liberdade!
Para quê enfim, pertencer?
Talvez para brigar? - só brigam os que pertencem
E para quê brigar se nem sabemos da nossa própria (in)felicidade
como um destino comum enquadrar-se numa refletiva
inflexiva paraplérgica invessa disléptica - absurdo!
Para quê falar de mim, se tudo e todos ao meu entorno serão sempre entorno?
Entorno! Que te interessa a minha alma truculenta? e minha abnegada poesia
que não satisfaz? Por que evitas o amor? Por quê? Por que respiras? tu que vives tão mal em meio ao tiroteio eterno - interno - que é este viver de gente...
Sobre cãos e vira-latas.
Eu e os cachorros de rua
nessa alvorada, nesse caçada
por alguma lata, uma lata que seja
alguma viralata abandonada
para lhe roubarmos a alma.
Te escondo a minha comida
o meu berço - não quero que penses
que um dia fui criança -
Seguramos na corda do alpinista
e subimos com ele para o alto
e além do alto e morremos
muito sôfregamente no além do alto.
Vinícius, tu que me reviras como lixo
tu poeta, como gostas, me come no café da manhã.
Eu que sou feito de muito pão e suor,
e na verdade muito cuidado e carinho,
como tu um monstro da delicadeza,
e de singular beleza me esquivo
de olhos esguios que me fecundam,
nos sonhos uma mulher me fecunda.
Ela que no mundo me achou, eu
que sou o seu viralatinha
ensopado de uma realidade banal
cansado, muito cansado.
Regado por influências da última lua,
amanheço o dia antes do relógio acordar
e abro o céu como se fosse o tecido
daquele a quem chamam deus,
o psiquiatra infrio do mundo, incruel e insensível,
e criador de seitas que exploram em seu nome.
Nessa madrugada que já é mais que clara,
e mais que dia embora madrugada
janto-lhe os braços e as pernas, oh poeta,
oh muher, oh deus!
Janto-lhe os versos Vinícius,
janto-lhe o emaranhado dos cabelos de gozo mulher, muito mulher,
janto-lhe os pecados deus,
e janto-me a minha eterna e brusca poesia.
nessa alvorada, nesse caçada
por alguma lata, uma lata que seja
alguma viralata abandonada
para lhe roubarmos a alma.
Te escondo a minha comida
o meu berço - não quero que penses
que um dia fui criança -
Seguramos na corda do alpinista
e subimos com ele para o alto
e além do alto e morremos
muito sôfregamente no além do alto.
Vinícius, tu que me reviras como lixo
tu poeta, como gostas, me come no café da manhã.
Eu que sou feito de muito pão e suor,
e na verdade muito cuidado e carinho,
como tu um monstro da delicadeza,
e de singular beleza me esquivo
de olhos esguios que me fecundam,
nos sonhos uma mulher me fecunda.
Ela que no mundo me achou, eu
que sou o seu viralatinha
ensopado de uma realidade banal
cansado, muito cansado.
Regado por influências da última lua,
amanheço o dia antes do relógio acordar
e abro o céu como se fosse o tecido
daquele a quem chamam deus,
o psiquiatra infrio do mundo, incruel e insensível,
e criador de seitas que exploram em seu nome.
Nessa madrugada que já é mais que clara,
e mais que dia embora madrugada
janto-lhe os braços e as pernas, oh poeta,
oh muher, oh deus!
Janto-lhe os versos Vinícius,
janto-lhe o emaranhado dos cabelos de gozo mulher, muito mulher,
janto-lhe os pecados deus,
e janto-me a minha eterna e brusca poesia.
terça-feira, 4 de agosto de 2009
Mínima lua.
A luz da lua invadiu delicadamente pelas frestas da casa, reluzente,
Como um poema de mãos pequenas.
Impossível achar luvas para palavras tão doces.
Como um poema de mãos pequenas.
Impossível achar luvas para palavras tão doces.
sexta-feira, 31 de julho de 2009
Chamamento.
A vida falta de rumo a nossa distância
distancia as palavras de mim
como se cada viesse de um planeta
deserto, marcianos, uma outra linguagem inteira
nosso amor em braille, nosso amor em terra
aqui nesse inferno perdido que deus esqueceu
sombra tateadora de um futuro incerto
mas tão certo é um futuro juntos
como eu quero como eu quero
sentir faltar palavras no nosso próprio planeta
e criar a nossa própria linhagem de seres humanos
desumanizados, criados para o prazer
para sermos sem nome bicho de nós mesmos
e te devorar devorar devorar
despudoradamente com um fio de suor e lágrimas
de um riso eterno que não pára nunca
como uma luz que demora muito a chegar.
Faísca combustível de um tato inexistente,
distância saudade comburente
desfaz e faz sempre, como hoje
a seca dos mares para por entre as chuvas e as ondas
eu rolando as dunas como o vento
venha você com a leveza das nuvens
como um raio clarear toda a escureza dos meus dias.
distancia as palavras de mim
como se cada viesse de um planeta
deserto, marcianos, uma outra linguagem inteira
nosso amor em braille, nosso amor em terra
aqui nesse inferno perdido que deus esqueceu
sombra tateadora de um futuro incerto
mas tão certo é um futuro juntos
como eu quero como eu quero
sentir faltar palavras no nosso próprio planeta
e criar a nossa própria linhagem de seres humanos
desumanizados, criados para o prazer
para sermos sem nome bicho de nós mesmos
e te devorar devorar devorar
despudoradamente com um fio de suor e lágrimas
de um riso eterno que não pára nunca
como uma luz que demora muito a chegar.
Faísca combustível de um tato inexistente,
distância saudade comburente
desfaz e faz sempre, como hoje
a seca dos mares para por entre as chuvas e as ondas
eu rolando as dunas como o vento
venha você com a leveza das nuvens
como um raio clarear toda a escureza dos meus dias.
sexta-feira, 24 de julho de 2009
Chuva e poesia - II
Nado no céu molhado pelos olhares das gaivotas que se perdem no oceano.
Nado na água nada como satisfação
Suave e calma como a própria calma
Branda e casta como o abraço.
Dia de chuva e de colher,
da cama bagunçada como um último dia de feriado pró-longado.
Dia de palavras ditas sem pensar como um sentido.
A casa meio escura me absorve numa mansidade
e eu vou afundado, afundando, afundando...
Nado na água nada como satisfação
Suave e calma como a própria calma
Branda e casta como o abraço.
Dia de chuva e de colher,
da cama bagunçada como um último dia de feriado pró-longado.
Dia de palavras ditas sem pensar como um sentido.
A casa meio escura me absorve numa mansidade
e eu vou afundado, afundando, afundando...
Chuva e poesia - I
Chove a fantasia junto com o vidro da janela que é líquido também
Escorre inspiração pelos cantos dos guarda-chuvas, que é tudo inexplicação
Que é só um canto de guarda-chuva e é também abrigo para a pele da mulher bem arrumada.
A chuva é companheira da saudade, saudade até do que não tem.
Corre a umidade como um sono percorrendo meu corpo
Que enlaça pontas perdidas de mim mesmo.
Incentiva a brincadeira de uma mente incendiária
E poetiza a vida como uma serenidade.
A fantasia em cima da mesa.
Escorre inspiração pelos cantos dos guarda-chuvas, que é tudo inexplicação
Que é só um canto de guarda-chuva e é também abrigo para a pele da mulher bem arrumada.
A chuva é companheira da saudade, saudade até do que não tem.
Corre a umidade como um sono percorrendo meu corpo
Que enlaça pontas perdidas de mim mesmo.
Incentiva a brincadeira de uma mente incendiária
E poetiza a vida como uma serenidade.
A fantasia em cima da mesa.
quarta-feira, 24 de junho de 2009
Língua
porqueapalavraapalpada
frasesemsentidoperdida
nalínguametalínguaroída
pelosqueaindainflamam
aínguapelafaltadeacento
semcrasepalavrasemcasa
decimalnãoématemática
umasociedadetãoperdidamente
perdidaemseupróprio
egoegocêntrico
queperdelouca
alíngua.
frasesemsentidoperdida
nalínguametalínguaroída
pelosqueaindainflamam
aínguapelafaltadeacento
semcrasepalavrasemcasa
decimalnãoématemática
umasociedadetãoperdidamente
perdidaemseupróprio
egoegocêntrico
queperdelouca
alíngua.
quinta-feira, 18 de junho de 2009
Da coerência junção de palavras.
Escrita palavra, reflexo engatilho da conjura sobre o desestável de todas as coisas. Uma porção de sentimentos traduzidos ao espaço sobre uma rede mais que complexa de sentidos, idas e vindas de um calor quase que insuportável. Ao sê-los e apenas, tudo vai se convergindo para um somente só, bem desequilíbrio à explodir a qualquer fagulha. Um estilhaço de bomba na cara do controle separa do mesmo buraco em que tudo se confunde uma palavra, mundo, de outra, realidade, e a palavra vida da palavra abismo, então enfim, uma livre para se encaixar na outra com coesão e senso, tendendo à sua livre inércia. O mundo real derrama vidas ao abismo sem fim.
É possível?
De um índice completo de todos esses momentos, o encontro foge, ruidoso, abre em um choro epitelial de variadas camadas de chuva de granizo. No auge dos tempos nos rendemos ao impulso externo-material, pois nem que os pássaros cantem mais. O espaço diminui, e o tempo aumenta sua expressão-víbora devoradora da calma, em várias vezes milhares de divisões ínfimas e confidentes entre si dos pormenores da humanidade, tal qual escrevo nos exatos minutos e milésimos de segundos e milhonésimos deste no decorrer das 17 horas da tarde bem marcada, impossível de se perder em um infinito tão bem estruturado. Tão bem estruturado vivo o homem-só, perdido de Cândido e sua inocência-ignorante bem visada amiga da felicidade no cruel negrume do asfalto que encobre camadas de vidas subterrâneas, subalternas, subentendidas, sublevadas, subinformadas, subvividas... amarradas por ainda uma questão de destino mal rasgada, herdada do tempo dos pecados capitais. Neste meio incompreendido pelos deuses já destituídos por nós, o deus-da-vez Deus-mercado aguarda outra calamidade para abalar sua ordem reinante.
Em meio à isso, um casal invisível tenta sobreviver pelos apenas prazeres de um Corpúsculo de Meissner excitado.
Em meio à isso, um casal invisível tenta sobreviver pelos apenas prazeres de um Corpúsculo de Meissner excitado.
domingo, 14 de junho de 2009
O tempo sorri.
A cidade passa por mim,
deitando despedidas feitas
pessoas e pessoas se apresentam
a meu humor, descaradas, escancarado.
Brilham as luzes de um lugar
onde ninguém jamais esteve.
Um lugar, quem sabe síntese,
pois um desconhecido em mim.
E essa necessidade louca de escrever,
necessidade louca de escrever,
que estive contigo
Quem sabe para tentar guardar
cada sorriso dado ao tempo,
como um tato que vira palavras.
deitando despedidas feitas
pessoas e pessoas se apresentam
a meu humor, descaradas, escancarado.
Brilham as luzes de um lugar
onde ninguém jamais esteve.
Um lugar, quem sabe síntese,
pois um desconhecido em mim.
E essa necessidade louca de escrever,
necessidade louca de escrever,
que estive contigo
Quem sabe para tentar guardar
cada sorriso dado ao tempo,
como um tato que vira palavras.
quinta-feira, 28 de maio de 2009
Quem sabe síntese.
Na cidade gelatina,
encoberta de pedras atiradas à Geni, aquela vaca,
cresce o cão Matuki, nome indígena e de rio,
não nem daqui nem da China,
mas d'outro qualquer lugar distante nesta Terra geóide.
Enquanto isso, distante, marcianos verdes procuram
a explicação do universo, roubada por um gremlin fugitivo.
Quem sabe num domingo de paradoxal paz e futebol,
miremos as nossas pedras ao invés da vaca da Geni
para um pelador qualquer, TV,
maldito ópio, base de todo panis et circences
desta grandiosa Roma, onde um Urbano dois
foi até a cidade caduca de urbanidade.
Estamos na Pax do ai que preguiça! de jorrar sangue
do ai que preguiça! deste caos.
À todos os feudos que são os condomínios,
bom poder fugir da criação que deu errado.
Pra quem fica do lado de fora, tchau.
encoberta de pedras atiradas à Geni, aquela vaca,
cresce o cão Matuki, nome indígena e de rio,
não nem daqui nem da China,
mas d'outro qualquer lugar distante nesta Terra geóide.
Enquanto isso, distante, marcianos verdes procuram
a explicação do universo, roubada por um gremlin fugitivo.
Quem sabe num domingo de paradoxal paz e futebol,
miremos as nossas pedras ao invés da vaca da Geni
para um pelador qualquer, TV,
maldito ópio, base de todo panis et circences
desta grandiosa Roma, onde um Urbano dois
foi até a cidade caduca de urbanidade.
Estamos na Pax do ai que preguiça! de jorrar sangue
do ai que preguiça! deste caos.
À todos os feudos que são os condomínios,
bom poder fugir da criação que deu errado.
Pra quem fica do lado de fora, tchau.
quarta-feira, 6 de maio de 2009
Amor de mar.
Nosso nos é, o beijo, sentimento tão puro
do gosto do beijo das palavras que nos tateiam quentes
ainda amornadas no verão interno, sobrenavegando os mares
que encobre de inteira rebeldia os nossos anos incertos.
Como não sentir, uma vez que balança o mar inteiro,
que é amor, pros olhos de quem ama
o mar cego, que nos cega e nos entrega
e é ainda a mais cega de todas as nossas certezas.
Repouso as palavras molhadas sobre o calor do nosso beijo.
Os versos causam rebuliço dentro desse mar profundo
Reviram sua ressaca, tamanho poder que têm na poesia.
E o mundo se expande, para não transbordar a água
que emana de seus lábios, onde guarda todo o amor
de que falamos sem entender, eu e o mar.
do gosto do beijo das palavras que nos tateiam quentes
ainda amornadas no verão interno, sobrenavegando os mares
que encobre de inteira rebeldia os nossos anos incertos.
Como não sentir, uma vez que balança o mar inteiro,
que é amor, pros olhos de quem ama
o mar cego, que nos cega e nos entrega
e é ainda a mais cega de todas as nossas certezas.
Repouso as palavras molhadas sobre o calor do nosso beijo.
Os versos causam rebuliço dentro desse mar profundo
Reviram sua ressaca, tamanho poder que têm na poesia.
E o mundo se expande, para não transbordar a água
que emana de seus lábios, onde guarda todo o amor
de que falamos sem entender, eu e o mar.
terça-feira, 5 de maio de 2009
Filosofia de morte.
Palavras se perdem na escura imensidão da noite em claro
buscando respostas de um infinito sem fim de finitas razões para se ser e ser se
palavras de filosofias antigas, e de remotos indícios do pensamento
Busco clareza nessa noite em claro.
A busca tem senão uma razão
de ser sem se, de absolutar a certeza buscada.
Mas a busca, por ser humana
se acaba em certeira ilusão.
Passa o tempo que nos enterra,
e uma certeza se leva em vão,
de que nossa verdade fora incerta.
Filosofia esta que nos desperta,
aprende-se a viver com fantasia,
e verá que somente ela tem razão.
buscando respostas de um infinito sem fim de finitas razões para se ser e ser se
palavras de filosofias antigas, e de remotos indícios do pensamento
Busco clareza nessa noite em claro.
A busca tem senão uma razão
de ser sem se, de absolutar a certeza buscada.
Mas a busca, por ser humana
se acaba em certeira ilusão.
Passa o tempo que nos enterra,
e uma certeza se leva em vão,
de que nossa verdade fora incerta.
Filosofia esta que nos desperta,
aprende-se a viver com fantasia,
e verá que somente ela tem razão.
quinta-feira, 30 de abril de 2009
à Stalingrado.
Escalco, desfalcado Stalingrado,
onde jaz uma ilusão perdida.
Falso líder, nesse mundo já deturpado
em vão erguemos uma bandeira ferida.
E jorra o sangue pelas veias,
pelas esquinas e ruínas do que um dia fora um sonho.
Jorra o sangue pelas veias, pelas esquinas ruínas,
do cadáver de Stalingrado.
Assim caminhamos, em pecaminosa quimera
que ainda assim resiste
existe na bandeira que sangra.
Passaremos por cima do que era
para um dia mudarmos a imagem
do sangue que ainda jorra de Stalingrado.
onde jaz uma ilusão perdida.
Falso líder, nesse mundo já deturpado
em vão erguemos uma bandeira ferida.
E jorra o sangue pelas veias,
pelas esquinas e ruínas do que um dia fora um sonho.
Jorra o sangue pelas veias, pelas esquinas ruínas,
do cadáver de Stalingrado.
Assim caminhamos, em pecaminosa quimera
que ainda assim resiste
existe na bandeira que sangra.
Passaremos por cima do que era
para um dia mudarmos a imagem
do sangue que ainda jorra de Stalingrado.
The ladder.
Will we lost ourselves?
Will the language disappear?
Will we not need to pretend anymore?
Like a ladder, we're climbing...
Like a ladder, we'll get to the top
Like a ladder, when we get there, we'll see
Just like a ladder.
Will the language disappear?
Will we not need to pretend anymore?
Like a ladder, we're climbing...
Like a ladder, we'll get to the top
Like a ladder, when we get there, we'll see
Just like a ladder.
quarta-feira, 29 de abril de 2009
Escibo.
Yo tengo que escribir.
Un momiento de singularidad;
una corriente de pensamientos si colga en mi pelo
con su ruído a mi callar.
O mundo está dando voltas com minha cabeça.
Às vezes tudo parece tão perdido...
e nem eu quero voltar...
O ser humano é tão frágil.
Y su grosería tan grande.
- Su grosería es tan grande que lo tiento en la piel.
El miedo ven contudo, atónito,
Bate en el agua, en el despotismo de su silencio esclarecido
Y arrasa otro outoño. Otro. Otoño.
Las palabras bailan sobre él,
bailan las palabras castas de sus follages amarilladas
y yo tengo que escribilas. Escribo. Escribo el otoño.
Mas parece que me escapa a mi.
Un momiento de singularidad;
una corriente de pensamientos si colga en mi pelo
con su ruído a mi callar.
O mundo está dando voltas com minha cabeça.
Às vezes tudo parece tão perdido...
e nem eu quero voltar...
O ser humano é tão frágil.
Y su grosería tan grande.
- Su grosería es tan grande que lo tiento en la piel.
El miedo ven contudo, atónito,
Bate en el agua, en el despotismo de su silencio esclarecido
Y arrasa otro outoño. Otro. Otoño.
Las palabras bailan sobre él,
bailan las palabras castas de sus follages amarilladas
y yo tengo que escribilas. Escribo. Escribo el otoño.
Mas parece que me escapa a mi.
terça-feira, 31 de março de 2009
Eu, improviso.
A língua presa prende
o trapo sempre preso
requebranto pranto.
Prato quebrado em seu adro.
Quadro preto rebaixado
a edro, coisa de pedro,
preto pedreiro,
branco lixeiro,
preto riquinho,
branco pobrão.
Coisa desigual e não.
Assim senão,
não coisa de cor
mas de gente, que é minha
minha gente, que se esquece
que gente é gente,
e que outra gente é sempre
gente como a gente.
É que não param,
meio a muvuca alienante,
e nem pensam,
entre o barulho alucinante
de civilização.
Poesia em cria,
procria em versos.
Da cama ao luar,
do luar à cidade,
da cidade ao grotesco,
do grotesco ao vento,
do vento ao caos,
do caos ao ventre,
de alguma dessas gente
que já não se lembra
do que é ser gente.
até que o rebento
largado, rumo,
seco ao relento,
abranja enfim,
pouco a pouco,
e toque, com um dedo rouco
o borburinho da calamidade
que reside em cada canto
da nossa inflamada e avançada
e já não tão humana
soterrada sociedade.
o trapo sempre preso
requebranto pranto.
Prato quebrado em seu adro.
Quadro preto rebaixado
a edro, coisa de pedro,
preto pedreiro,
branco lixeiro,
preto riquinho,
branco pobrão.
Coisa desigual e não.
Assim senão,
não coisa de cor
mas de gente, que é minha
minha gente, que se esquece
que gente é gente,
e que outra gente é sempre
gente como a gente.
É que não param,
meio a muvuca alienante,
e nem pensam,
entre o barulho alucinante
de civilização.
Poesia em cria,
procria em versos.
Da cama ao luar,
do luar à cidade,
da cidade ao grotesco,
do grotesco ao vento,
do vento ao caos,
do caos ao ventre,
de alguma dessas gente
que já não se lembra
do que é ser gente.
até que o rebento
largado, rumo,
seco ao relento,
abranja enfim,
pouco a pouco,
e toque, com um dedo rouco
o borburinho da calamidade
que reside em cada canto
da nossa inflamada e avançada
e já não tão humana
soterrada sociedade.
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quarta-feira, 25 de março de 2009
Comofazerumaodeaoserhumanodehojeemdia.
Ser em si um ser em questão, ser ou não ser,
O Homem, bicho estranho, é, mesmo, de si mesmo irmão?
De hoje se nega a clássica poética,
que passa a ser fruto incisivo da degradação do ser Homem.
- Degradação da língua.
Deve ser a poesia um eco solúvel
para essa coisa contraditória e descompassada.
Rima mal-passada da miséria humana apenas
cápsulas de bala para o gordíssimo pudor do dinheiro.
O Homem, bicho estranho, é, mesmo, de si mesmo irmão?
De hoje se nega a clássica poética,
que passa a ser fruto incisivo da degradação do ser Homem.
- Degradação da língua.
Deve ser a poesia um eco solúvel
para essa coisa contraditória e descompassada.
Rima mal-passada da miséria humana apenas
cápsulas de bala para o gordíssimo pudor do dinheiro.
Las cosas que importan.
Images from a veiculated infinite world made from finite matter.
Fick dich, ninguém se importa.
O Mundo hoje, o Mundo do futuro, o Mundo de ninguém.
Jamais foi nem nunca será, Mundo.
As the humanity goes - full of vanities and desvanities -
Caminhamos com as patas de trás rumo a um buraco negro.
Dioptic ilusion de le Monde, Monde irreal,
Mundo de sangue e carne viva. Mundo de gente real.
Mundo que navega pelo espaço,
rumo ao todo e ao nada do universo
em sua constante e infinita e serena expansão.
Comemos uns aos outros. Devoramos nossos companheiros-irmãos.
Antropófagos humanos deprovidos de emoção,
gordos de estupefatos exageros nas margens do superávit primário.
Y, en el gran final, para alivio de eso corazón,
Las cosas que realmente importan pueden ser compradas.
Si fueres bueno te daré un regalo.
Fick dich, ninguém se importa.
O Mundo hoje, o Mundo do futuro, o Mundo de ninguém.
Jamais foi nem nunca será, Mundo.
As the humanity goes - full of vanities and desvanities -
Caminhamos com as patas de trás rumo a um buraco negro.
Dioptic ilusion de le Monde, Monde irreal,
Mundo de sangue e carne viva. Mundo de gente real.
Mundo que navega pelo espaço,
rumo ao todo e ao nada do universo
em sua constante e infinita e serena expansão.
Comemos uns aos outros. Devoramos nossos companheiros-irmãos.
Antropófagos humanos deprovidos de emoção,
gordos de estupefatos exageros nas margens do superávit primário.
Y, en el gran final, para alivio de eso corazón,
Las cosas que realmente importan pueden ser compradas.
Si fueres bueno te daré un regalo.
quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009
Por culpa de quien?
Alguns anos de solidão,
algumas vezes, assolam a vida
e alheia à duas vontades e meia,
pressente o presente de una soledad.
Um saudoso poeta poliglota,
something in english, he wrote,
Qu'est-ce que en français?
Je ne sais pa de rien
Or is there something left in my mind?
Por quantas sabe, se sabe, a quantas vão?
Alguma métrica bloqueando a visão?
Yo no sé quien ha sido.
Livreto em forma turística,
fast cours de français,
Porque yo no hablo español...
Qual será, enfim, o futuro filosófico da nação?
Algum tema de tour Eiffel, europeic bullshit
deixada sorrateiramente sob os chicotes da escravidão?
quien mucho, quien poco, todos contribuyeron...
Who's guilty?
algumas vezes, assolam a vida
e alheia à duas vontades e meia,
pressente o presente de una soledad.
Um saudoso poeta poliglota,
something in english, he wrote,
Qu'est-ce que en français?
Je ne sais pa de rien
Or is there something left in my mind?
Por quantas sabe, se sabe, a quantas vão?
Alguma métrica bloqueando a visão?
Yo no sé quien ha sido.
Livreto em forma turística,
fast cours de français,
Porque yo no hablo español...
Qual será, enfim, o futuro filosófico da nação?
Algum tema de tour Eiffel, europeic bullshit
deixada sorrateiramente sob os chicotes da escravidão?
quien mucho, quien poco, todos contribuyeron...
Who's guilty?
quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009
Livros
Vamos compor alguma coisa?
Eu perguntei pra ela.
Mas ela só mecheu a cabeça e abanou o rabo.
Coisa estranha telepática ourivesaria
é o rebanho de cachorros do meu pensamento vizinho.
Como um saco de dormir, saco de palavras, saco de trovador.
Que saco só latir. Tentar em vão me comunicar.
Mais fácil me trancar num escritório meu mundo,
cheio de navios e barcos a boiar, antes que a enchente me venha valer.
Genealógica árvore de pensamentos, por trás dos meus óculos escuros,
em uma tarde que não se tem muito o que pensar.
São os livros que ando lendo. Mechem a cuca e remexem,
em refinado desconcerto. Me penetram na vida,
reviram a morte, criam versos com molas.
E me fazem até falar com cachorros.
Eu perguntei pra ela.
Mas ela só mecheu a cabeça e abanou o rabo.
Coisa estranha telepática ourivesaria
é o rebanho de cachorros do meu pensamento vizinho.
Como um saco de dormir, saco de palavras, saco de trovador.
Que saco só latir. Tentar em vão me comunicar.
Mais fácil me trancar num escritório meu mundo,
cheio de navios e barcos a boiar, antes que a enchente me venha valer.
Genealógica árvore de pensamentos, por trás dos meus óculos escuros,
em uma tarde que não se tem muito o que pensar.
São os livros que ando lendo. Mechem a cuca e remexem,
em refinado desconcerto. Me penetram na vida,
reviram a morte, criam versos com molas.
E me fazem até falar com cachorros.
Chuva das seis (Para um Fórum Social Mundial em Belém do Pará)
E chovia, bando de escritores
de um dadaísmo obscuro, e um misticismo irreverente
chovia estrelas mil,
em noites de bêbados equilibristas
em solo e céu do Brasil.
Chovia um pesadelo de possibilidades
em um minuto de solidão.
Sofria calado uma personagem assassinada
por um pingo de escrita
em acentuada inquietação.
Rola madrugada abaixo,
um bueiro destruído por uma tempestade política
estupro no banheiro de palafita,
preservativo destituído de uso
e um bebedouro para trinta mil pessoas quebradas
onde ainda se cria na vida.
de um dadaísmo obscuro, e um misticismo irreverente
chovia estrelas mil,
em noites de bêbados equilibristas
em solo e céu do Brasil.
Chovia um pesadelo de possibilidades
em um minuto de solidão.
Sofria calado uma personagem assassinada
por um pingo de escrita
em acentuada inquietação.
Rola madrugada abaixo,
um bueiro destruído por uma tempestade política
estupro no banheiro de palafita,
preservativo destituído de uso
e um bebedouro para trinta mil pessoas quebradas
onde ainda se cria na vida.
terça-feira, 30 de dezembro de 2008
Olhar pra você.
É um abismo isso,
de arrebatado-deslumbro
em ponta de prancha-tábua de navio-pirata.
Dá de - enlevado desvario -
querer me jogar de cabeça,
e dá de dar medo ao mesmo tempo.
Uma poça de cabeça-virada
em que a água não escorre
nem escoa, e mesmo assim
molha o meu mundo e além.
É um não-sei-o-quê,
de dar nó e entrelaçar
todos os estilos de um mesmo poeta,
e dele reinventar muitos outros.
Afunda a lua e o sono,
profundo gozo de rima brincalhona,
em olhar ofusque
e sorriso fascínio,
de se perder em seu êxtase.
É todo um poema de pé-virado
onde tudo perde sentido e ganha
a todo momento, um deslumbre, um viés,
de enleve respiro. É um suspiro à sua frente.
de arrebatado-deslumbro
em ponta de prancha-tábua de navio-pirata.
Dá de - enlevado desvario -
querer me jogar de cabeça,
e dá de dar medo ao mesmo tempo.
Uma poça de cabeça-virada
em que a água não escorre
nem escoa, e mesmo assim
molha o meu mundo e além.
É um não-sei-o-quê,
de dar nó e entrelaçar
todos os estilos de um mesmo poeta,
e dele reinventar muitos outros.
Afunda a lua e o sono,
profundo gozo de rima brincalhona,
em olhar ofusque
e sorriso fascínio,
de se perder em seu êxtase.
É todo um poema de pé-virado
onde tudo perde sentido e ganha
a todo momento, um deslumbre, um viés,
de enleve respiro. É um suspiro à sua frente.
segunda-feira, 29 de dezembro de 2008
Noite de inverno.
As palavras se estratificam como nuvens num céu de lua cheia,
conglomerando gotículas de concepções e significados
na tela da mente que desmente idéias dementes,
deveramente simétricas à cadência de estrelas e pedidos.
Nesse céu cambeiam tons e tons noturnos
de azul-escuro-filosófico e azul-claro-meditativo
de sutil gradação, pincelados em aquarela desbotada
da sobretela de vapor d'água, justaposto ao imprevisto cenário:
A Lua, inteira e maciça, de inquietas formas a se diversar,
delineia silhueta zefíria, onde não se sabe seu verdadeiro alcance,
e conversa com a noite, em arcano namoro. De lenta e vaga
não deixa claro seus reais escopos, e permanece aprazível,
sempre bela, esperando cortejo, e seu devido prestígio.
As estrelas condizem: à seu chamego, fazem extravagante declaro,
nascem e renascem, discutem e batalham, pelejam e se ofendem
todas de suas devidas distâncias, de modo que quando elogio atinge destino,
por gênero de excêntrico acaso, passaram a vida inteira acreditando amor incorrespondido, pois que já inexistem.
Embaixo, sorrateira, dorme a inquieta cidade, apreensiva numa noite de sono,
intrigantemente desapressada, harmoniza-se em cardinale conjunto,
de aprazível concerto:
Van Gogh deslumbra uma noite de inverno em pleno verão arrebatado.
conglomerando gotículas de concepções e significados
na tela da mente que desmente idéias dementes,
deveramente simétricas à cadência de estrelas e pedidos.
Nesse céu cambeiam tons e tons noturnos
de azul-escuro-filosófico e azul-claro-meditativo
de sutil gradação, pincelados em aquarela desbotada
da sobretela de vapor d'água, justaposto ao imprevisto cenário:
A Lua, inteira e maciça, de inquietas formas a se diversar,
delineia silhueta zefíria, onde não se sabe seu verdadeiro alcance,
e conversa com a noite, em arcano namoro. De lenta e vaga
não deixa claro seus reais escopos, e permanece aprazível,
sempre bela, esperando cortejo, e seu devido prestígio.
As estrelas condizem: à seu chamego, fazem extravagante declaro,
nascem e renascem, discutem e batalham, pelejam e se ofendem
todas de suas devidas distâncias, de modo que quando elogio atinge destino,
por gênero de excêntrico acaso, passaram a vida inteira acreditando amor incorrespondido, pois que já inexistem.
Embaixo, sorrateira, dorme a inquieta cidade, apreensiva numa noite de sono,
intrigantemente desapressada, harmoniza-se em cardinale conjunto,
de aprazível concerto:
Van Gogh deslumbra uma noite de inverno em pleno verão arrebatado.
quarta-feira, 24 de dezembro de 2008
Poema palavra.
P O E M A
O
E
M
A
Circunstância letrada da vida...
...momento preso entre os dedos de cada palavrA
V I D A
I
D
A
Poemática da arte existir...
...viver é retirar de cada momento a sua poesiA
O
E
M
A
Circunstância letrada da vida...
...momento preso entre os dedos de cada palavrA
V I D A
I
D
A
Poemática da arte existir...
...viver é retirar de cada momento a sua poesiA
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quarta-feira, 17 de dezembro de 2008
Não cotidiano.
Dois jovens acordaram com um desejo estranho um dia:
Queriam tomar sorvete.
Mas que estranho desejo para se mudar o cotidiano da cidade...
Seria como lamber as ruelas frias e cinzas da grande metrópole.
Não há sorveteria, não há sorvete.
É como se a caça e o caçador desentendessem
como funciona seus respectivos papéis.
Aonde se esconderia vertiginoso desejo?
Por baixo do asfalto ou por trás das infindas mercadorias?
Teria escorrido bueiro abaixo,
para os profundos do cemitério de concreto?
Acha-se de tudo no enorme empório...
Vontades criadas, anseios divulgados,
ambições incabíveis e pretensões idealizadas.
Mas naquele dia foi impossível achar um simples sorvete.
Queriam tomar sorvete.
Mas que estranho desejo para se mudar o cotidiano da cidade...
Seria como lamber as ruelas frias e cinzas da grande metrópole.
Não há sorveteria, não há sorvete.
É como se a caça e o caçador desentendessem
como funciona seus respectivos papéis.
Aonde se esconderia vertiginoso desejo?
Por baixo do asfalto ou por trás das infindas mercadorias?
Teria escorrido bueiro abaixo,
para os profundos do cemitério de concreto?
Acha-se de tudo no enorme empório...
Vontades criadas, anseios divulgados,
ambições incabíveis e pretensões idealizadas.
Mas naquele dia foi impossível achar um simples sorvete.
segunda-feira, 15 de dezembro de 2008
Que falta faz Bacamarte, aqui na Terra.
Libertaram os poetas! salve-se quem puder!
é um deus-nos-acuda e ainda um sei lá:
eles abrolham das praças, brotam do chão e do nada,
chovem em dia de sol - quando ninguém está de guarda-chuva -
aportam nas portas e ancoram nos portos
apontam e despontam e assim procedem,
dominam a cidade e tomam o governo,
retiram os cartazes e queimam as bandeiras.
O povo, em caótica, decretada calamidade, exclama:
- "Nada tem sabor para eles! ingratos sem raça!
despregam e relegam, pelegam injustos!
essa gente astuta e capciosa! esses tais de poetas!
são loucos! loucos psicopatas de excêntre-recesso!"
Estabelece-se a bancarrota humana, a ruína:
- "Nós, poetas, determinamos a partir desta e de agora,
que o mundo parou! não haverão mais Estados, não haverão mais fronteiras,
não haverão mais nomenclaturas! A modo que tudo é um e de um se forma o todo.
É o fim dos objetos e das coisas, dos artefatos e artifícios.
Serão fechadas todas as congruências, serão fechadas todas as conveniências!
Viveremos só do que nos cabe nas palmas das mãos.
A partir desta e de agora: ninguém é poeta e todos serão;
e seremos o que sempre quisemos ser..."
E foram "ohs" e "ahs" para todos os lados; mais exclamações:
- "Como?! Qual?! Isso é absurdo...!"
Pois que assim seja, porque nesse poema, os poetas são eu, e o poema ainda mais meu:
O que não dura, domínio e predicado, descai, se apaga e desbota,
abrandam-se e se extinguem, são expungidos lentamente,
pelos novos desígnios de idealidade;
- Há tempos se esqueceu o que é posse,
e o ser humano sabe até amar melhor. -
Os países todos convergem para um só, e enfim, o mundo!
Aprendeu-se tolerância e respeito, e melhor ainda,
aprendeu-se a aprender o outro; apronta-se humanidade.
Que finda em completa revolução, de manifesto versado,
regida poesia, poemática, em demasiada poematização:
- "E no fim, não eram tão loucos assim, os poetas..."
é um deus-nos-acuda e ainda um sei lá:
eles abrolham das praças, brotam do chão e do nada,
chovem em dia de sol - quando ninguém está de guarda-chuva -
aportam nas portas e ancoram nos portos
apontam e despontam e assim procedem,
dominam a cidade e tomam o governo,
retiram os cartazes e queimam as bandeiras.
O povo, em caótica, decretada calamidade, exclama:
- "Nada tem sabor para eles! ingratos sem raça!
despregam e relegam, pelegam injustos!
essa gente astuta e capciosa! esses tais de poetas!
são loucos! loucos psicopatas de excêntre-recesso!"
Estabelece-se a bancarrota humana, a ruína:
- "Nós, poetas, determinamos a partir desta e de agora,
que o mundo parou! não haverão mais Estados, não haverão mais fronteiras,
não haverão mais nomenclaturas! A modo que tudo é um e de um se forma o todo.
É o fim dos objetos e das coisas, dos artefatos e artifícios.
Serão fechadas todas as congruências, serão fechadas todas as conveniências!
Viveremos só do que nos cabe nas palmas das mãos.
A partir desta e de agora: ninguém é poeta e todos serão;
e seremos o que sempre quisemos ser..."
E foram "ohs" e "ahs" para todos os lados; mais exclamações:
- "Como?! Qual?! Isso é absurdo...!"
Pois que assim seja, porque nesse poema, os poetas são eu, e o poema ainda mais meu:
O que não dura, domínio e predicado, descai, se apaga e desbota,
abrandam-se e se extinguem, são expungidos lentamente,
pelos novos desígnios de idealidade;
- Há tempos se esqueceu o que é posse,
e o ser humano sabe até amar melhor. -
Os países todos convergem para um só, e enfim, o mundo!
Aprendeu-se tolerância e respeito, e melhor ainda,
aprendeu-se a aprender o outro; apronta-se humanidade.
Que finda em completa revolução, de manifesto versado,
regida poesia, poemática, em demasiada poematização:
- "E no fim, não eram tão loucos assim, os poetas..."
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sexta-feira, 12 de dezembro de 2008
Zunido.
Deito-me a zunir. É o som que traz a insônia,
enquanto zurra o silêncio da cidade entorpecida:
"ZZZZZZ"
Zumbe, rezuna e ainda se apruma,
para não me deixar dormir:
"ZZZZZZ"
É a auditiva vida de zumbido zóico:
Zunindo e zunzunando desmedido zuruó
- zurde-zurrada-zureta -
com afincado zimbo de Zês zombeirões.
Zangarreia-zangarilho, zarpa zaranzando
zarabataneando o sono, o zêlo e as zeugmas
em som zueira de Zê zebrado...
Zazaneia essa zabumba zicada, e enzarelha
- zepelim-zigomorfo-zigue-zague-zão-zão -
zarro de zoísta zombaria.
Zoantropia pior que zoada de zodíaco e zinziar de cigarra tonta,
sempre zumbindo, em zarro.
Mas a cidade, que dorme zapeira,
se esquece até do alfabeto, e entoa,
em zuído zumbaieiro, zunido uníssono:
"ZZZZZZ"
enquanto zurra o silêncio da cidade entorpecida:
"ZZZZZZ"
Zumbe, rezuna e ainda se apruma,
para não me deixar dormir:
"ZZZZZZ"
É a auditiva vida de zumbido zóico:
Zunindo e zunzunando desmedido zuruó
- zurde-zurrada-zureta -
com afincado zimbo de Zês zombeirões.
Zangarreia-zangarilho, zarpa zaranzando
zarabataneando o sono, o zêlo e as zeugmas
em som zueira de Zê zebrado...
Zazaneia essa zabumba zicada, e enzarelha
- zepelim-zigomorfo-zigue-zague-zão-zão -
zarro de zoísta zombaria.
Zoantropia pior que zoada de zodíaco e zinziar de cigarra tonta,
sempre zumbindo, em zarro.
Mas a cidade, que dorme zapeira,
se esquece até do alfabeto, e entoa,
em zuído zumbaieiro, zunido uníssono:
"ZZZZZZ"
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Metapoema.
O que chama, renasce, reluz e reclama
é o carro que escorrega;
é a alma que desfrega;
é o coração que desprega;
...esse unívoco jouer de palavras,
que é a minha poesia.
Faz sentido e desfaz, de própria-propriedade por ser apenas.
Mas se completa: Reluta por si,
abarrotada de coalhados rumos;
E também me completa, sim senhor:
Vincula opinião e preferência,
conhecido e experimentado
e notado e apercebido.
Contém, encerra, inclui e desinclui,
e apresenta todos significados e nenhum.
Leia e releia: pois que verá o que busca:
Um insignificante jogo palavreado, sobrenavegando espaço em branco;
Ou então buliçosos contingentes, versáteis
de solução analítica, dilateando intelecto;
Equivale ao significado de consistir, como consiste em equivaler.
E fica e é e está. E já não é mais.
Sou eu ou sujeito-qualquer, outro, que grita de lá,
e opina, e se diz e rediz e desdiz,
e já não sabe mais o que sabia dantes.
Não por ser bicho do mato,
mas bicho bicho mesmo, como outro qualquer bicho.
Que apenas é, e é.
é o carro que escorrega;
é a alma que desfrega;
é o coração que desprega;
...esse unívoco jouer de palavras,
que é a minha poesia.
Faz sentido e desfaz, de própria-propriedade por ser apenas.
Mas se completa: Reluta por si,
abarrotada de coalhados rumos;
E também me completa, sim senhor:
Vincula opinião e preferência,
conhecido e experimentado
e notado e apercebido.
Contém, encerra, inclui e desinclui,
e apresenta todos significados e nenhum.
Leia e releia: pois que verá o que busca:
Um insignificante jogo palavreado, sobrenavegando espaço em branco;
Ou então buliçosos contingentes, versáteis
de solução analítica, dilateando intelecto;
Equivale ao significado de consistir, como consiste em equivaler.
E fica e é e está. E já não é mais.
Sou eu ou sujeito-qualquer, outro, que grita de lá,
e opina, e se diz e rediz e desdiz,
e já não sabe mais o que sabia dantes.
Não por ser bicho do mato,
mas bicho bicho mesmo, como outro qualquer bicho.
Que apenas é, e é.
quarta-feira, 10 de dezembro de 2008
Beijo
Beijo. Semântica do desejo
de um acúmulo real ou fracionado de saudade
e mais desejo. Outro beijo.
Chove-bota-coloca, e deposita e canta
mais uma proposta-proporção,
e ainda uma porção de mais e mais beijos.
E mais me cabe toda a vida no seguinte momento,
de desencosta de lábio e de abertura de olho,
que calha ainda de ser verdade e não sonho,
a miscigenação completa de sinfonias e poemas
que palpitam latejantes em folia-e-dança
compondo odes de impossível e contígua absorção.
É esse seu olhar que me assenta.
Em verdade, me acosta e recosta,
e encosta e inquieta. Desse olhar profundo
em que se perdem, denso, as todas galáxias de todos os universos.
E que isso representem em todo um único homem - mais ainda, eu.
Que, fundo, se abafa, e recala e não se cabe de consumir
d'onde submergem invasões de um sem fim de sensibilidade.
É ainda um bel-prazer, de infinita veleidade de aspiração e gosto;
Desse reparo-contemplado, salta afável, custoso brió.
E que te custa mostrar, cheiosa de mistério
coisa de nenhum segredo - porque desvendo e descalo antecipadamente.
Sussurro de sigiloso enigma, paira silêncio confidencioso,
sobre clima dezembreiro de emblemático calor e mais mistério,
em pouca luz e vento, corre um deitoso cochicho, que me aborda e abrange
e aconchega e abriga você como nunca tão perto.
Têm poder as palavras; e mais ainda as de Eros;
(porque é deus e porque é poderoso - e porque somos frágeis a qualquer cupido).
Quando deixa ser vista e quando viajam de você os seus demais signos
se emana e flui tudo o que a Química ainda não explica.
Se epiloga, em absurda capacidade de soma,
um absorto relicário de mais de mundos de sensações
que se expressam em três vocábulos,
que talvez traduzissem mais que esse inteiro poema.
de um acúmulo real ou fracionado de saudade
e mais desejo. Outro beijo.
Chove-bota-coloca, e deposita e canta
mais uma proposta-proporção,
e ainda uma porção de mais e mais beijos.
E mais me cabe toda a vida no seguinte momento,
de desencosta de lábio e de abertura de olho,
que calha ainda de ser verdade e não sonho,
a miscigenação completa de sinfonias e poemas
que palpitam latejantes em folia-e-dança
compondo odes de impossível e contígua absorção.
É esse seu olhar que me assenta.
Em verdade, me acosta e recosta,
e encosta e inquieta. Desse olhar profundo
em que se perdem, denso, as todas galáxias de todos os universos.
E que isso representem em todo um único homem - mais ainda, eu.
Que, fundo, se abafa, e recala e não se cabe de consumir
d'onde submergem invasões de um sem fim de sensibilidade.
É ainda um bel-prazer, de infinita veleidade de aspiração e gosto;
Desse reparo-contemplado, salta afável, custoso brió.
E que te custa mostrar, cheiosa de mistério
coisa de nenhum segredo - porque desvendo e descalo antecipadamente.
Sussurro de sigiloso enigma, paira silêncio confidencioso,
sobre clima dezembreiro de emblemático calor e mais mistério,
em pouca luz e vento, corre um deitoso cochicho, que me aborda e abrange
e aconchega e abriga você como nunca tão perto.
Têm poder as palavras; e mais ainda as de Eros;
(porque é deus e porque é poderoso - e porque somos frágeis a qualquer cupido).
Quando deixa ser vista e quando viajam de você os seus demais signos
se emana e flui tudo o que a Química ainda não explica.
Se epiloga, em absurda capacidade de soma,
um absorto relicário de mais de mundos de sensações
que se expressam em três vocábulos,
que talvez traduzissem mais que esse inteiro poema.
terça-feira, 2 de dezembro de 2008
Gana propaganda.
Um vazio buraco de nada
me separa do resto da humanidade;
Enfurnas açoite o restolho do mundo
ranca olho ranca pó ranca tudo e nada
rancorosamente voltado pra si
e nem sequer pensam
quando escutam o estralo do açoite
chiqueirador-chiqueirá, são chiqueirados
e nem sabem; o rebenque-vergasta
está na mão de todos e de nenhum.
Se auto-chibateiam e lêem auto-ajuda,
pois precisam é da achega do interno!
refulgassa a desgraça na qual auto-imposta se acha
fixa-imposição interna, do mundo da pressão da loucura
Oh, deus, quanta riamba.
Não há amparo no vale-desamparado do mundo.
Melancolias mercadorias e ninguém de branco na rua.
é a receita para o fim. Cada altiva esquina resguarda o horror cominitivo
propaganda alvitricada em vidrinhos lançados ao mar,
e o povo estático-exaltado se deslumbra fascinado
Tudo rampa, pampa, tudo enlevo, da mais gorda mentira
Engrossa posta, rolda-molda o próprio chicote
que encalabra a vida. Reluz antipático o valor do coice.
E nada disso está no "outdoor" da propaganda.
me separa do resto da humanidade;
Enfurnas açoite o restolho do mundo
ranca olho ranca pó ranca tudo e nada
rancorosamente voltado pra si
e nem sequer pensam
quando escutam o estralo do açoite
chiqueirador-chiqueirá, são chiqueirados
e nem sabem; o rebenque-vergasta
está na mão de todos e de nenhum.
Se auto-chibateiam e lêem auto-ajuda,
pois precisam é da achega do interno!
refulgassa a desgraça na qual auto-imposta se acha
fixa-imposição interna, do mundo da pressão da loucura
Oh, deus, quanta riamba.
Não há amparo no vale-desamparado do mundo.
Melancolias mercadorias e ninguém de branco na rua.
é a receita para o fim. Cada altiva esquina resguarda o horror cominitivo
propaganda alvitricada em vidrinhos lançados ao mar,
e o povo estático-exaltado se deslumbra fascinado
Tudo rampa, pampa, tudo enlevo, da mais gorda mentira
Engrossa posta, rolda-molda o próprio chicote
que encalabra a vida. Reluz antipático o valor do coice.
E nada disso está no "outdoor" da propaganda.
segunda-feira, 1 de dezembro de 2008
Piola de lua.
A lua gritava sigilosamente,
repousando seu sorriso taciturno
sobre este poema,
trafegado por pernilongos e vaga-lumes
branco-prateados e amarelo-douricados
de todas as origens e destinos e de toda a terra.
Em arrematado cochicho
lançado - de mim pra mim mesmo -
cravelhou-me seu enclave de chave-mistério:
giro, rodopio e regiro, revolvo e torno a girar
sou caco-de-tudo e prova-de-nada
me comprovo por inerente certeza...
É essa a guimba de meu principiado-precipício
em termo em fim: minha liba.
Estrada-fuga de extremada frieza
puá de cegueira-acúlea
bico em pico de povo doente
dor-de-cabeça de tudo o que é gente.
espinho-humano, trago, pico, limite-de-farpa
a cidade se verte em bagana escopo
intento-fito de intuito indigente,
cabo-fenecimento depauperado.
A cidade se verte em ruína.
Ao longe se ilumina sua sina
perece até ao pensar-fenecimento
transpassa o trânsito-óbito
da maquinaria óbvia de avesso sistema.
Extrato-substrato de papel folha
que te aponta e comprova ser mesmo quem é
porque quem é, é - nada abstrato -
e não pode mais ser sem contra-cheque nem prévio-aviso.
Bota, calça e registra seu pé.
Mas a lua lá do alto chameja
chispa-corusca e cintila
e me chama, refulgente
como diriam suas cúmplices estrelas
- amantes-amigas-companheiras -
e de lá se sorri: diz, se articulando:
daqui de fora sentencio:
és um adágio;
Mas eu, cá inteirinha, não tenho rolo de me embaraçar...
Vou continuar brilhando em leso-sabote
Apenas perturbando o infeliz que me notar.
repousando seu sorriso taciturno
sobre este poema,
trafegado por pernilongos e vaga-lumes
branco-prateados e amarelo-douricados
de todas as origens e destinos e de toda a terra.
Em arrematado cochicho
lançado - de mim pra mim mesmo -
cravelhou-me seu enclave de chave-mistério:
giro, rodopio e regiro, revolvo e torno a girar
sou caco-de-tudo e prova-de-nada
me comprovo por inerente certeza...
É essa a guimba de meu principiado-precipício
em termo em fim: minha liba.
Estrada-fuga de extremada frieza
puá de cegueira-acúlea
bico em pico de povo doente
dor-de-cabeça de tudo o que é gente.
espinho-humano, trago, pico, limite-de-farpa
a cidade se verte em bagana escopo
intento-fito de intuito indigente,
cabo-fenecimento depauperado.
A cidade se verte em ruína.
Ao longe se ilumina sua sina
perece até ao pensar-fenecimento
transpassa o trânsito-óbito
da maquinaria óbvia de avesso sistema.
Extrato-substrato de papel folha
que te aponta e comprova ser mesmo quem é
porque quem é, é - nada abstrato -
e não pode mais ser sem contra-cheque nem prévio-aviso.
Bota, calça e registra seu pé.
Mas a lua lá do alto chameja
chispa-corusca e cintila
e me chama, refulgente
como diriam suas cúmplices estrelas
- amantes-amigas-companheiras -
e de lá se sorri: diz, se articulando:
daqui de fora sentencio:
és um adágio;
Mas eu, cá inteirinha, não tenho rolo de me embaraçar...
Vou continuar brilhando em leso-sabote
Apenas perturbando o infeliz que me notar.
domingo, 30 de novembro de 2008
Dizemos
De tão exposto já não molha mais
a cabeceira do morro pelado;
Lá onde as entranhas da Terra estão à mostra
pela falta do asfalto-negrume,
ranchião-cachaço, de melaço-de-cana,
a fome opina de lá, grita
gira seu preceito-conceito
retentiva campestre
de sua e de outra.
O mel madeirado
dimana sangue fluido
em trilogia das cores
coisa bandido abolido que foi,
a cano frio de arma dura,
um sopro que fosse
o gosto de mudar.
Não sei mais nem-quê,
nem-como, nem-porquê.
O que hoje foi dito,
dize, o de ontem
dizeu, e o de amanhã
dizerá.
a cabeceira do morro pelado;
Lá onde as entranhas da Terra estão à mostra
pela falta do asfalto-negrume,
ranchião-cachaço, de melaço-de-cana,
a fome opina de lá, grita
gira seu preceito-conceito
retentiva campestre
de sua e de outra.
O mel madeirado
dimana sangue fluido
em trilogia das cores
coisa bandido abolido que foi,
a cano frio de arma dura,
um sopro que fosse
o gosto de mudar.
Não sei mais nem-quê,
nem-como, nem-porquê.
O que hoje foi dito,
dize, o de ontem
dizeu, e o de amanhã
dizerá.
Fresta de liberdade
Que posso eu
fixo 'em aleatoreidade,
em signos sinônimos
sintomáticos, da mazela
maleita guerreira
de nação-torrão
zueira zangibeira
de senhor-velho-ancião?
São estes sulcos arados
de presságio aparente
agouro-endêmico
de fornalha-mortalhada
de um inteiro país.
Perde-se em língua em tom
de desfeita abobalhada
a desgraça folgazada
sobre a expectativa de toda a gente.
E que há? de fala falaz
se convence, própria da mente
assina a gente demente
ardilosada-capisciosamente
em sua mais desilusão
confiada do alto qu'vem.
Mas haverá, de poderio,
ariçada a raiva quente,
quando a descoberta
se deparar ao achado
e publicar seu desvairado
penteado-que-rege-o-mundo
encarapitar a foice e o martelo,
após derrocada a bandeira de deus
alucinado de povo pirado,
de se confiar esperança?
Mas há, sim qu'há!
Antes d'o planeta parar de rodar
já se vá aspirar o ar da liberdade
tão lânguida nesses tempos
e nessas coordenadas,
que só por uma fresta fugida
nos coube uma vez ou outra atentar.
fixo 'em aleatoreidade,
em signos sinônimos
sintomáticos, da mazela
maleita guerreira
de nação-torrão
zueira zangibeira
de senhor-velho-ancião?
São estes sulcos arados
de presságio aparente
agouro-endêmico
de fornalha-mortalhada
de um inteiro país.
Perde-se em língua em tom
de desfeita abobalhada
a desgraça folgazada
sobre a expectativa de toda a gente.
E que há? de fala falaz
se convence, própria da mente
assina a gente demente
ardilosada-capisciosamente
em sua mais desilusão
confiada do alto qu'vem.
Mas haverá, de poderio,
ariçada a raiva quente,
quando a descoberta
se deparar ao achado
e publicar seu desvairado
penteado-que-rege-o-mundo
encarapitar a foice e o martelo,
após derrocada a bandeira de deus
alucinado de povo pirado,
de se confiar esperança?
Mas há, sim qu'há!
Antes d'o planeta parar de rodar
já se vá aspirar o ar da liberdade
tão lânguida nesses tempos
e nessas coordenadas,
que só por uma fresta fugida
nos coube uma vez ou outra atentar.
sábado, 29 de novembro de 2008
Sério-sério
Criação farsetária
falsária, falsa, reaça
ação fracionária,
fim do poema
em dois em mil...
Em uníssono, coaxado
ramo coalhado de Roma
criado-Estado-tramóia-treta
caí no conto-do-vigário de má-fé
sem parar de velhacos surdinos
no mundo de tudo.
Desfalcado improibitório
dessa nação-zumbi, nos zomba
o logro do pobre-zombado e cara-cuspida
o rombo fraudulento
de governo-estelionato.
Rematado terror de cidadania,
pacote-aprontado, embaixo do tapete.
Enfurnado sarapalha saratantas
sarapatel de trombetas moucosas.
Surdantas e tantas outras,
de tanto alento,
fique atento,
ao atentado.
falsária, falsa, reaça
ação fracionária,
fim do poema
em dois em mil...
Em uníssono, coaxado
ramo coalhado de Roma
criado-Estado-tramóia-treta
caí no conto-do-vigário de má-fé
sem parar de velhacos surdinos
no mundo de tudo.
Desfalcado improibitório
dessa nação-zumbi, nos zomba
o logro do pobre-zombado e cara-cuspida
o rombo fraudulento
de governo-estelionato.
Rematado terror de cidadania,
pacote-aprontado, embaixo do tapete.
Enfurnado sarapalha saratantas
sarapatel de trombetas moucosas.
Surdantas e tantas outras,
de tanto alento,
fique atento,
ao atentado.
Fôlego de saudade
Ainda ressoa sua voz em eco
em longe em certo, ou mesmo perto
perpassando fios e até cabos
que cruzam o oceano
e levam seu tom penetrante
que acaricia exclusivo,
o auditivo de todos os meus sentidos.
É o que podemos, em tempo,
pelo que se mostra o espaço
distante, um bloco de nota
vibrante vocal, que anestesia
pelo menos um mínimo a saudade apertada.
Enquanto não podemos
com a mágica da língua,
em u em beijo em gosto
nos desfazermos em saliva
migrante, dentre lábios
que se abocanham carinhosamente
unidos em uma só boca,
há um nímio de imaginação
que ressalva aguardar.
E esperamos. Até não aguentar mais
o peso da vontade própria do querer.
Apetece o beijo apalavrado,
que anuncia a sua chegada
e a versada revivência
dos outros quatro sentidos
acobardados pelo apenas eco da sua voz.
em longe em certo, ou mesmo perto
perpassando fios e até cabos
que cruzam o oceano
e levam seu tom penetrante
que acaricia exclusivo,
o auditivo de todos os meus sentidos.
É o que podemos, em tempo,
pelo que se mostra o espaço
distante, um bloco de nota
vibrante vocal, que anestesia
pelo menos um mínimo a saudade apertada.
Enquanto não podemos
com a mágica da língua,
em u em beijo em gosto
nos desfazermos em saliva
migrante, dentre lábios
que se abocanham carinhosamente
unidos em uma só boca,
há um nímio de imaginação
que ressalva aguardar.
E esperamos. Até não aguentar mais
o peso da vontade própria do querer.
Apetece o beijo apalavrado,
que anuncia a sua chegada
e a versada revivência
dos outros quatro sentidos
acobardados pelo apenas eco da sua voz.
sexta-feira, 28 de novembro de 2008
Prazer palavreado
É pelo prazer do sexo
que desalma e desanda
como por um orgasmo
e que ama ainda mais...
Abriga e descamba
longe do lúcido,
a razão-de-cego
puro-tato.
Além da alma,
viajem do corpo
pelo corpo
de outrém.
É onde se perde.
E ganha mais que o próprio,
reganha todos os sentidos.
Conotação versante-dançante da palavra
- subjetivação total da mente sinestésica.
que desalma e desanda
como por um orgasmo
e que ama ainda mais...
Abriga e descamba
longe do lúcido,
a razão-de-cego
puro-tato.
Além da alma,
viajem do corpo
pelo corpo
de outrém.
É onde se perde.
E ganha mais que o próprio,
reganha todos os sentidos.
Conotação versante-dançante da palavra
- subjetivação total da mente sinestésica.
quinta-feira, 20 de novembro de 2008
Pesadelo.
Daqui de cima tudo parece ironicamente mais claro.
O alto. O fim das papilas que são dor.
A droga que extasia o tempo nessa noite fria.
Mergulhado com os olhos numa meia-lua que dá as costas ao mundo.
A voz sonolenta do telefone não acolhe.
As janelas esparsadamente acesas dos apartamentos da cidade
riem debochosamente da uma aflição.
Sádica, a luminosidade de um deus que não existe.
Inclino-me prontamente para o mal da madrugada.
Uma brecha entre a anestesia do cômodo e a dificuldade de ação.
Sensação de vida morta!
Esse é o primeiro sonho consciente
de uma enxurrada, que atravessa desbancando por onde passa,
casas e morros e palavras inteiras.
Vai sujando todos os caminhos
com o rastro das minhas mãos sujas de sangue.
Desço o telhado para o desfecho da noite,
Deslumbro a lua, o céu, a dor,
Grito sozinho na cidade desmaiada em desvario.
Mas não consigo acordar.
O alto. O fim das papilas que são dor.
A droga que extasia o tempo nessa noite fria.
Mergulhado com os olhos numa meia-lua que dá as costas ao mundo.
A voz sonolenta do telefone não acolhe.
As janelas esparsadamente acesas dos apartamentos da cidade
riem debochosamente da uma aflição.
Sádica, a luminosidade de um deus que não existe.
Inclino-me prontamente para o mal da madrugada.
Uma brecha entre a anestesia do cômodo e a dificuldade de ação.
Sensação de vida morta!
Esse é o primeiro sonho consciente
de uma enxurrada, que atravessa desbancando por onde passa,
casas e morros e palavras inteiras.
Vai sujando todos os caminhos
com o rastro das minhas mãos sujas de sangue.
Desço o telhado para o desfecho da noite,
Deslumbro a lua, o céu, a dor,
Grito sozinho na cidade desmaiada em desvario.
Mas não consigo acordar.
terça-feira, 18 de novembro de 2008
Farol amarelo.
É tarde pra uma segunda-feira.
Caminho. Pela história de tudo
A construção dessa Avenida
Ou dessa boate que frequentava aos 15.
Jazem sobre a superfície irregular do mundo.
É sem-forma
O espaço abstrato da fôrma
Onde se modelam meus pensamentos.
E estes surgem de um papelzinho amassado
Que tiro do bolso da calça
Nessa segunda-feira de madrugada.
Tudo tem sua história.
E a minha se faz, em meio à derrotas Pírricas
É um exagero. Vivo sempre intensamente.
Das penas que me agradam
E das chuvas que me banham.
É só um farol amarelo.
Onde não se sabe se vai ou se espera
É só metade do caminho...
Caminho. Pela história de tudo
A construção dessa Avenida
Ou dessa boate que frequentava aos 15.
Jazem sobre a superfície irregular do mundo.
É sem-forma
O espaço abstrato da fôrma
Onde se modelam meus pensamentos.
E estes surgem de um papelzinho amassado
Que tiro do bolso da calça
Nessa segunda-feira de madrugada.
Tudo tem sua história.
E a minha se faz, em meio à derrotas Pírricas
É um exagero. Vivo sempre intensamente.
Das penas que me agradam
E das chuvas que me banham.
É só um farol amarelo.
Onde não se sabe se vai ou se espera
É só metade do caminho...
segunda-feira, 17 de novembro de 2008
Rascunho salvo at:
Dialetizando o enigmático da língua.
Please save me! O mundo está drowning, nos afogando...
Sufocando o que resta, do cérebro.
Brainstorm...
I want to scream, mas não consigo.
Misturando o útil ao agradável.
Problematizando o futuro...
O que restará de nós? Ou melhor, who?
Não há tradução para este tipo de pecado.
Ne pas de problème.
Please save me! O mundo está drowning, nos afogando...
Sufocando o que resta, do cérebro.
Brainstorm...
I want to scream, mas não consigo.
Misturando o útil ao agradável.
Problematizando o futuro...
O que restará de nós? Ou melhor, who?
Não há tradução para este tipo de pecado.
Ne pas de problème.
domingo, 16 de novembro de 2008
Louco mover
É esse som que me locomove.
Som de loucura, de trem, de avião;
O som dos loucos que se movem
Quando ninguém mais tem esse direito,
Só cavamos mais fundo na cidade.
É tudo mentira nesse formigueiro,
Contadas em cédulas de R$10.
E esquecemos da pele,
Dos olhares que se desencontram,
E ficam divididos pelas gotículas de chuva
Que escorrem pelas janelas dos ônibus.
Embaçam os faróis de trânsito
Que piscam a teoria do caos
Para motoristas que não mais se enxergam.
Mas algum dia a cidade se revolta.
Eu espero...
Som de loucura, de trem, de avião;
O som dos loucos que se movem
Quando ninguém mais tem esse direito,
Só cavamos mais fundo na cidade.
É tudo mentira nesse formigueiro,
Contadas em cédulas de R$10.
E esquecemos da pele,
Dos olhares que se desencontram,
E ficam divididos pelas gotículas de chuva
Que escorrem pelas janelas dos ônibus.
Embaçam os faróis de trânsito
Que piscam a teoria do caos
Para motoristas que não mais se enxergam.
Mas algum dia a cidade se revolta.
Eu espero...
domingo, 9 de novembro de 2008
Cinza
O real e o não real da arte
A palavra. Subjetividade.
Somos todos subversivos.
Não atendo telefonemas.
Nem respondo cartas.
Num palco me resolvo...
Tenho levitado algumas vezes.
É o sangue que tem corrido mais rápido.
É o córrego de lágrimas.
Quem dá sentido pras coisas somos nós.
Queimo papéis. Não são pra mim...
Faço o mundo girar mais devagar.
Ainda gosto de subir em árvores...
A palavra. Subjetividade.
Somos todos subversivos.
Não atendo telefonemas.
Nem respondo cartas.
Num palco me resolvo...
Tenho levitado algumas vezes.
É o sangue que tem corrido mais rápido.
É o córrego de lágrimas.
Quem dá sentido pras coisas somos nós.
Queimo papéis. Não são pra mim...
Faço o mundo girar mais devagar.
Ainda gosto de subir em árvores...
quinta-feira, 6 de novembro de 2008
Eco mudo.
O eco ecoa seco.
surdo o eco preto soa
seco, surdo, mudo
Ecoa secamente o eco seco cortante
seca e asfixia ainda mais a garganta
há muito tempo seca e cerrada
O eco de tão seco não ecoa
seca a palavra cai pesada
na superfície enganada do papel seco
Por quais paredes de qual caverna se esconde o eco
que acaricia os prazeres do tempo
com suas mãos de cascalho
eco.
surdo o eco preto soa
seco, surdo, mudo
Ecoa secamente o eco seco cortante
seca e asfixia ainda mais a garganta
há muito tempo seca e cerrada
O eco de tão seco não ecoa
seca a palavra cai pesada
na superfície enganada do papel seco
Por quais paredes de qual caverna se esconde o eco
que acaricia os prazeres do tempo
com suas mãos de cascalho
eco.
quarta-feira, 22 de outubro de 2008
Ansiedade de lua.
Recurso de halo
Lua de fel
Insólitos sonhos e poemas
De conversas que começam e terminam em nada.
Pleitos vazios de sim e de não
Litígio sobre o amor
E de como nos deixamos afetar
Pela sensível barreira da distância
Habitante da pronfunda complexidade de ser humano
Devaneando sobre a complexa profundeza de amar
Engulo a madrugada regada de lágrimas
Que afogam lembranças de prazer e gozo
E guardo estes anseios que me sacodem até a alma.
Lua de fel
Insólitos sonhos e poemas
De conversas que começam e terminam em nada.
Pleitos vazios de sim e de não
Litígio sobre o amor
E de como nos deixamos afetar
Pela sensível barreira da distância
Habitante da pronfunda complexidade de ser humano
Devaneando sobre a complexa profundeza de amar
Engulo a madrugada regada de lágrimas
Que afogam lembranças de prazer e gozo
E guardo estes anseios que me sacodem até a alma.
Esclarecimento
Recessão! O mundo surta calamidades econômicas, ambientais, sociais.
Caminhamos contra a parede (?)
Tamanho livro, peso, humano.
O asfalto nunca pesou tanto... Mas o movimento se sobrepõe ao tempo.
O ritmado compasso relógio
Marca o passo marca-passo do cotidiano da cidade doente
Que atinge fatalmente o peito ensanguentado
A tiro de bala de arma de fogo das favelas
Complexo reflexo da desorganisação social.
E continuamos esperando...
Até quando?
Na História está a força das divertidas derrotas...
E que fique claro que não tememos o que não nos é natural.
Porque ainda é proibido proibir, e tudo o que é pessoal continua sendo político!
A dedicação se volta, hoje, se não para trazer o sorriso de volta para a humanidade
O sorriso de quem o procura. Pois sempre estará aí, o ar que nos atiça a chama da vida.
E temos o fogo para queimarmos quantas bandeiras forem precisas.
E há paralelepípedos para barricadas. E há muita gaze para o sangue...
O que me intriga é se há ainda alguma dúvida, ou se tampouco faltam motivos,
Para acreditar que o Mundo está girando ao contrário do planeta...
Caminhamos contra a parede (?)
Tamanho livro, peso, humano.
O asfalto nunca pesou tanto... Mas o movimento se sobrepõe ao tempo.
O ritmado compasso relógio
Marca o passo marca-passo do cotidiano da cidade doente
Que atinge fatalmente o peito ensanguentado
A tiro de bala de arma de fogo das favelas
Complexo reflexo da desorganisação social.
E continuamos esperando...
Até quando?
Na História está a força das divertidas derrotas...
E que fique claro que não tememos o que não nos é natural.
Porque ainda é proibido proibir, e tudo o que é pessoal continua sendo político!
A dedicação se volta, hoje, se não para trazer o sorriso de volta para a humanidade
O sorriso de quem o procura. Pois sempre estará aí, o ar que nos atiça a chama da vida.
E temos o fogo para queimarmos quantas bandeiras forem precisas.
E há paralelepípedos para barricadas. E há muita gaze para o sangue...
O que me intriga é se há ainda alguma dúvida, ou se tampouco faltam motivos,
Para acreditar que o Mundo está girando ao contrário do planeta...
Carros...
Vaga-lumes brancos do tráfego
de linho e de máquina,
da pura invenção do homem
em sombra de som
e amplificação do todo.
Ronronar de combustão imediata
pistão que explode em seu tempo de milésimo
em sobra da mais perfeita precisão.
Desloca-se a insignificante fragilidade humana...
de linho e de máquina,
da pura invenção do homem
em sombra de som
e amplificação do todo.
Ronronar de combustão imediata
pistão que explode em seu tempo de milésimo
em sobra da mais perfeita precisão.
Desloca-se a insignificante fragilidade humana...
quinta-feira, 16 de outubro de 2008
Manhãs e mais.
Nada mais,
do que um poeta mergulhado em si
- num seu profundo ócio criativo -
contempla tanto além
de rosas findadas ao seu objetivo final, de murchar.
Muito mais,
do que uma textura matiz e suave
que absvorve para si toda luz em cor
e atravessa com infinito poder
uma íris distraída.
Sem mais,
existem palavras. E o que antes era cor, luz,
ou imaginação, ou pura ternura,
ocupa demais um coração,
e por isso tem necessidade de transbordar.
E jamais aquela rosa,
dotada da pura e única magia da existência,
será vista como apenas uma rosa.
Mas como uma colorida e intensa
e necessária tecedora de manhãs e poemas.
do que um poeta mergulhado em si
- num seu profundo ócio criativo -
contempla tanto além
de rosas findadas ao seu objetivo final, de murchar.
Muito mais,
do que uma textura matiz e suave
que absvorve para si toda luz em cor
e atravessa com infinito poder
uma íris distraída.
Sem mais,
existem palavras. E o que antes era cor, luz,
ou imaginação, ou pura ternura,
ocupa demais um coração,
e por isso tem necessidade de transbordar.
E jamais aquela rosa,
dotada da pura e única magia da existência,
será vista como apenas uma rosa.
Mas como uma colorida e intensa
e necessária tecedora de manhãs e poemas.
domingo, 12 de outubro de 2008
Madrugada.
Dado o poema como um bloco de mármore a ser esculpido.
O poeta usa a língua como sua ferramenta.
Num canto solto moderado
reflexivo compulsório da realidade moral.
É a verdade que o assusta. É o pensar o falar o resentir.
É o resignificado da coisa.
Seu céu é um espelho
e o poema o além.
O fundo verde emparedado que o cerca
porta-berimbau, pau, porta-chocalho
sacode o mundo chão, tapete torcido pelo passo
apressado, embriagado de incenso e perfume e saudade.
Potência em watt do mundo falando ao mesmo tempo
não o esquecerão, quando tudo for mais belo.
Uma simples estante suporta um breve conhecimento de todas as coisas.
Leciona maldade e alegria, alienado.
Já se foi o tempo dos sinais, é madrugada.
Volta no centro da cidade vazio musicada por Tchembo
num mundo de fragmentados desencantos.
Os pingos da chuva suavisam a densa madrugada
e encobrem suas fantasiosas quimeras fugidas
que continuam pensando os eternos filósofos que ninguém nunca vai ouvir falar.
O poeta usa a língua como sua ferramenta.
Num canto solto moderado
reflexivo compulsório da realidade moral.
É a verdade que o assusta. É o pensar o falar o resentir.
É o resignificado da coisa.
Seu céu é um espelho
e o poema o além.
O fundo verde emparedado que o cerca
porta-berimbau, pau, porta-chocalho
sacode o mundo chão, tapete torcido pelo passo
apressado, embriagado de incenso e perfume e saudade.
Potência em watt do mundo falando ao mesmo tempo
não o esquecerão, quando tudo for mais belo.
Uma simples estante suporta um breve conhecimento de todas as coisas.
Leciona maldade e alegria, alienado.
Já se foi o tempo dos sinais, é madrugada.
Volta no centro da cidade vazio musicada por Tchembo
num mundo de fragmentados desencantos.
Os pingos da chuva suavisam a densa madrugada
e encobrem suas fantasiosas quimeras fugidas
que continuam pensando os eternos filósofos que ninguém nunca vai ouvir falar.
quinta-feira, 9 de outubro de 2008
Direito
Mais um dia se passa...
Mais uma cidadania passa.
Mais uma cidade.
Mais uma.
Mais uma.
Mais um cidadão passa.
Mais um direito.
Direito.
Direto.
Envoltos em suor e sono,
as engrenagens da cidade
exercem seu último direito:
apaga a luz e dorme, apaga a luz e dorme, apaga a luz e some.
Mais uma cidadania passa.
Mais uma cidade.
Mais uma.
Mais uma.
Mais um cidadão passa.
Mais um direito.
Direito.
Direto.
Envoltos em suor e sono,
as engrenagens da cidade
exercem seu último direito:
apaga a luz e dorme, apaga a luz e dorme, apaga a luz e some.
Ainda há...!
Peço-me a mim mesmo para escrever.
Como um poeta fluido, me desvanecer na brancura do papel.
Deixar tudo chover. E enfim desgastar a minha angústia,
agora então vivida.
Angústia com o real, com o que criamos, que asfixia, por saber que é nosso.
Com a teoria, que por assim ser, não é prática.
E mais tudo o que envolve essa fastidiosa noção
Num embalo festivo,
alço velas em direção a poesia, que ainda se forma em nuvem, acumula.
Que troveja, fugente, se mostrando de longe. Empunhando gravemente a alegria de toda gente.
Que ainda há de vingar...
E há de destruir tudo o que sufoca.
Há de diluir o desprezo, a náusea, o vômito.
Há de enfrentar a tediosa inércia que faz girar o planeta sob a sombra escandalosa do lucro!
E altivamente declarar a definitiva bancarrota do sofrimento...
Acabar com a angústia.
Que ainda há de findar...
Como um poeta fluido, me desvanecer na brancura do papel.
Deixar tudo chover. E enfim desgastar a minha angústia,
agora então vivida.
Angústia com o real, com o que criamos, que asfixia, por saber que é nosso.
Com a teoria, que por assim ser, não é prática.
E mais tudo o que envolve essa fastidiosa noção
Num embalo festivo,
alço velas em direção a poesia, que ainda se forma em nuvem, acumula.
Que troveja, fugente, se mostrando de longe. Empunhando gravemente a alegria de toda gente.
Que ainda há de vingar...
E há de destruir tudo o que sufoca.
Há de diluir o desprezo, a náusea, o vômito.
Há de enfrentar a tediosa inércia que faz girar o planeta sob a sombra escandalosa do lucro!
E altivamente declarar a definitiva bancarrota do sofrimento...
Acabar com a angústia.
Que ainda há de findar...
quinta-feira, 2 de outubro de 2008
Fluição.
Tenho alguns surtos, de alguns instantes
- espero que durem -
em que tudo se encaixa.
E escrevo sem pensar sobre todas as coisas.
Esqueço-me do que é coesão, sentido.
O que é continuidade? Isso aqui é emoção!
Canto, e tudo me agrada.
Só me falta sair saltitando a colher margaridas...
Nem a chuva, nem a hora - porque é tarde -
interrompem o processo de (des)criação nesses instantes.
Por isso não duram...Quanta insensibilidade ao meio!
Não sou assim...mas estou sendo. E estou gostando.
São surtos, são momentos
- apaixonantes de mim -
A poesia se faz, e brotam de todos os lados os poemas imaginativos.
O pensamento se esvai, e tudo flui...
A arte, o surto, o tempo e a vida.
- espero que durem -
em que tudo se encaixa.
E escrevo sem pensar sobre todas as coisas.
Esqueço-me do que é coesão, sentido.
O que é continuidade? Isso aqui é emoção!
Canto, e tudo me agrada.
Só me falta sair saltitando a colher margaridas...
Nem a chuva, nem a hora - porque é tarde -
interrompem o processo de (des)criação nesses instantes.
Por isso não duram...Quanta insensibilidade ao meio!
Não sou assim...mas estou sendo. E estou gostando.
São surtos, são momentos
- apaixonantes de mim -
A poesia se faz, e brotam de todos os lados os poemas imaginativos.
O pensamento se esvai, e tudo flui...
A arte, o surto, o tempo e a vida.
Instantes.
Quero todas as palavras.
Porque hoje estou livre de crises.
A realidade não me assusta mais. E que isso dure pelo menos alguns instantes...
Hoje é tudo marasmo, paradeiro, pique-pique, alegria alegria.
Quero tudo o que é palavra. Quero vozes.
Quero toda a liberdade do mundo - se é que tal coisa exista.
Se não existir, quero eu como sou. Porque sou livre. Pelo menos nesses instantes...
Porque sou bicho, homem, cavalo, circo, céu e vida. Sou mais arte.
As palavras me querem.
Sussurram aos meus ouvidos, tanto que não consigo ouvi-las.
De tantas, me perco na escolha - porque já sou ruim nisso.
E escolho todas. Tudo que é som, signo, cor, sentimento.
Pois nunca fui tão cubista e estive tanto fora de um cubo...
Porque é tudo forma, é tudo palavra. E é tudo língua, porque é tudo pensamento.
E é tudo ego, alterego e superego. E nada de trio é tão chato.
Nada que enquadre é tão chato. Fora matemática...
Porque os números são palavras, quando quero que sejam.
Dois, sete, oito dezoito. E fiquem de lado os cálculos, me perdoem.
Hoje só quero palavras. E que sejam de aniversário vinte e seis de maio,
ou de festas do eu inteiro de branco trinta e um de dezembro. De todos os anos...
Hoje, eu já disse. Quero todas as palavras, porque elas me querem.
Quero todas as palavras livres, que façam a farra, sem forma cor ou conteúdo,
saltitando pelas mentes brilhantes, fezendo cabeças, poses, imagens, frutos, flores, folhas e rumos...
Porque hoje estou livre de crises.
A realidade não me assusta mais. E que isso dure pelo menos alguns instantes...
Hoje é tudo marasmo, paradeiro, pique-pique, alegria alegria.
Quero tudo o que é palavra. Quero vozes.
Quero toda a liberdade do mundo - se é que tal coisa exista.
Se não existir, quero eu como sou. Porque sou livre. Pelo menos nesses instantes...
Porque sou bicho, homem, cavalo, circo, céu e vida. Sou mais arte.
As palavras me querem.
Sussurram aos meus ouvidos, tanto que não consigo ouvi-las.
De tantas, me perco na escolha - porque já sou ruim nisso.
E escolho todas. Tudo que é som, signo, cor, sentimento.
Pois nunca fui tão cubista e estive tanto fora de um cubo...
Porque é tudo forma, é tudo palavra. E é tudo língua, porque é tudo pensamento.
E é tudo ego, alterego e superego. E nada de trio é tão chato.
Nada que enquadre é tão chato. Fora matemática...
Porque os números são palavras, quando quero que sejam.
Dois, sete, oito dezoito. E fiquem de lado os cálculos, me perdoem.
Hoje só quero palavras. E que sejam de aniversário vinte e seis de maio,
ou de festas do eu inteiro de branco trinta e um de dezembro. De todos os anos...
Hoje, eu já disse. Quero todas as palavras, porque elas me querem.
Quero todas as palavras livres, que façam a farra, sem forma cor ou conteúdo,
saltitando pelas mentes brilhantes, fezendo cabeças, poses, imagens, frutos, flores, folhas e rumos...
(Re)falado.
Já não compreendo mais
todo esse melodrama, toda prosa e poesia
e toda essa arte concebida sem vida.
Sejamos cubistas. Sejamos dadaístas.
Inventores do nosso próprio descaso.
Recaso. Inventores do nosso próprio falado.
Digo olá a forma. Brinco.
Brinco e flerto com ela,
que me desdiz pela fresta da virtualidade do monitor.
Cadê aqui a seta?
se (seta) ser (seta) só (seta)...
Refaço. Tudo envolto em círculo.
Libertemos o nosso cheiro de circo.
Nosso bafo de animal selvagem enjaulado,
com a cabeça do domador dentro da boca aberta...
É só querer.
A cabeça está aí para quem quiser usar.
A nossa e a de outros. Mas a arte. Há arte.
Tudo num círculo só.
todo esse melodrama, toda prosa e poesia
e toda essa arte concebida sem vida.
Sejamos cubistas. Sejamos dadaístas.
Inventores do nosso próprio descaso.
Recaso. Inventores do nosso próprio falado.
Digo olá a forma. Brinco.
Brinco e flerto com ela,
que me desdiz pela fresta da virtualidade do monitor.
Cadê aqui a seta?
se (seta) ser (seta) só (seta)...
Refaço. Tudo envolto em círculo.
Libertemos o nosso cheiro de circo.
Nosso bafo de animal selvagem enjaulado,
com a cabeça do domador dentro da boca aberta...
É só querer.
A cabeça está aí para quem quiser usar.
A nossa e a de outros. Mas a arte. Há arte.
Tudo num círculo só.
Assim mesmo.
Sei que existem pensamentos inconclusos,
e espaço para que se construam.
Sei que existe loucura
no desabafo do espaço que se expande.
Sei que fico meio perdido,
e me confundo em minha própria imensidão.
E para que venho, será outra vida
refletindo os mesmos começos?
As mesmas pessoas
repetindo os mesmos erros?
Assim sou eu mesmo.
Mesmo que não saiba quem sou...
e espaço para que se construam.
Sei que existe loucura
no desabafo do espaço que se expande.
Sei que fico meio perdido,
e me confundo em minha própria imensidão.
E para que venho, será outra vida
refletindo os mesmos começos?
As mesmas pessoas
repetindo os mesmos erros?
Assim sou eu mesmo.
Mesmo que não saiba quem sou...
sexta-feira, 26 de setembro de 2008
Esperança
Jogo sem pensar
As vezes me iludindo cegamente. Acredito.
Pelo menos conheço a minha própria loucura.
Sou humano,
e como tal, passível de erros.
Um grande nada de matéria,
carregado de complexidade e contradições.
Hoje eu penso no futuro, e espero.
Aguardo ansiosamente pelo sol de amanhã, pois agora fazem de tudo noite.
Cada gole da garrafa que eu bebo me sorve lentamente,
com certeza me aproveitando muito mais do que eu a ela.
O vinho, como sabe ser boa companhia,
compreende. E me envolve em acidez.
E faz bem quando amarga a minha boca,
quando tudo a volta é amargura. E ninguém é menos amargo.
Não quero soar depressivo. Não o sou.
As palavras são. Quando tomadas pela razão.
E a razão, como dizem, é indubitável:
ninguém se opõe a ela.
Então, nesse caminho certeiro para a verdade absoluta,
busco a luz, procuro sair dessa amarga ilusão
de que se esperarmos a flor brotará do asfalto sozinha.
Ou pelo menos tento crer, que se ela brotar,
ainda há esperança.
Ainda há esperança de que os que movem esse fluxo de metal e aço,
aqueles que fazem a noite,
sejam sábios o suficiente e abram espaço
para a deixar crescer.
As vezes me iludindo cegamente. Acredito.
Pelo menos conheço a minha própria loucura.
Sou humano,
e como tal, passível de erros.
Um grande nada de matéria,
carregado de complexidade e contradições.
Hoje eu penso no futuro, e espero.
Aguardo ansiosamente pelo sol de amanhã, pois agora fazem de tudo noite.
Cada gole da garrafa que eu bebo me sorve lentamente,
com certeza me aproveitando muito mais do que eu a ela.
O vinho, como sabe ser boa companhia,
compreende. E me envolve em acidez.
E faz bem quando amarga a minha boca,
quando tudo a volta é amargura. E ninguém é menos amargo.
Não quero soar depressivo. Não o sou.
As palavras são. Quando tomadas pela razão.
E a razão, como dizem, é indubitável:
ninguém se opõe a ela.
Então, nesse caminho certeiro para a verdade absoluta,
busco a luz, procuro sair dessa amarga ilusão
de que se esperarmos a flor brotará do asfalto sozinha.
Ou pelo menos tento crer, que se ela brotar,
ainda há esperança.
Ainda há esperança de que os que movem esse fluxo de metal e aço,
aqueles que fazem a noite,
sejam sábios o suficiente e abram espaço
para a deixar crescer.
Nada escrito.
Hoje, nada me agrada.
Nem o som que irrompe pelo lado de fora da janela,
nem o que vem de dentro.
A cama na qual eu me deito não acolhe o quanto eu preciso.
As toalhas mal passadas não secam mais esta água que não molha.
Na verdade, nenhum caminho me leva pra onde quero.
A rosa não se parece como eu a vejo...
Nada é como é, e eu não sou como sou,
Porque hoje nada faz sentido. E aqui dentro tudo é frio.
As palavras, nas quais eu confio, deformam todos os seus benignos sentidos ao serem escritas,
e o sentido que elas têm dentro de mim, não é o que elas deveriam ter. Ou é,
porque assim o tem.
Meu corpo não responde aos estímulos do cérebro, e este já não sabe o que faz.
As roupas já não vestem sem que nos façam nos sentirmos presos.
Nenhuma maquiagem embeleza, para espelhos que não refletem nada além.
Para espelhos que nem refletem, tudo parou.
Os relógios, que aguardam minutos que guardam infinitas possibilidades de ações paranóicas,
se despedaçaram em milhares de esperanças.
E fora de mim matérias implodem sem emoção.
O mundo que existe lá fora, não é como deveria ser, e
o ser humano se torna cada vez menos humano.
Os cursos que são ministrados em todas as áreas não ensinam o que se imagina,
porque a própria imaginação já não é mais livremente imaginável.
As críticas não têm efeito algum porque não são mais as que atingem.
Os movimentos não conseguem mais o que querem, pois não mais são movimentados.
A comida causa mais fome.
A água causa mais sede.
As guerras são as únicas que salvam a alma
e a paz nos destrói.
As vozes que nunca deveriam ter sido ouvidas, não mais o são,
e envelhecem. Jazem em profundos dos papéis amarelos.
E eu, como sou normal, e para não sair da rotina
que já não é cotidiana, porque os dias já não existem,
escrevo. Mesmo sabendo que não escrevi nada.
Nem o som que irrompe pelo lado de fora da janela,
nem o que vem de dentro.
A cama na qual eu me deito não acolhe o quanto eu preciso.
As toalhas mal passadas não secam mais esta água que não molha.
Na verdade, nenhum caminho me leva pra onde quero.
A rosa não se parece como eu a vejo...
Nada é como é, e eu não sou como sou,
Porque hoje nada faz sentido. E aqui dentro tudo é frio.
As palavras, nas quais eu confio, deformam todos os seus benignos sentidos ao serem escritas,
e o sentido que elas têm dentro de mim, não é o que elas deveriam ter. Ou é,
porque assim o tem.
Meu corpo não responde aos estímulos do cérebro, e este já não sabe o que faz.
As roupas já não vestem sem que nos façam nos sentirmos presos.
Nenhuma maquiagem embeleza, para espelhos que não refletem nada além.
Para espelhos que nem refletem, tudo parou.
Os relógios, que aguardam minutos que guardam infinitas possibilidades de ações paranóicas,
se despedaçaram em milhares de esperanças.
E fora de mim matérias implodem sem emoção.
O mundo que existe lá fora, não é como deveria ser, e
o ser humano se torna cada vez menos humano.
Os cursos que são ministrados em todas as áreas não ensinam o que se imagina,
porque a própria imaginação já não é mais livremente imaginável.
As críticas não têm efeito algum porque não são mais as que atingem.
Os movimentos não conseguem mais o que querem, pois não mais são movimentados.
A comida causa mais fome.
A água causa mais sede.
As guerras são as únicas que salvam a alma
e a paz nos destrói.
As vozes que nunca deveriam ter sido ouvidas, não mais o são,
e envelhecem. Jazem em profundos dos papéis amarelos.
E eu, como sou normal, e para não sair da rotina
que já não é cotidiana, porque os dias já não existem,
escrevo. Mesmo sabendo que não escrevi nada.
segunda-feira, 2 de junho de 2008
Desse canto.
Busca...
Eterna correria atrás de um pouco de paz!
Enquanto brincam de dividir o mundo
sob fronteiras, sob leis específicas a tudo o que cabe,
eu tenho que produzir...
Mas sou produzido.
Tal como um produto da máquina de moldar gente.
Apenas quando consigo, por tempo
- que nos falta -
ou por vontade
- quando se sente livre para isso -
me reproduzo no meu ínfimo caderno de papel reciclado.
(porque ecologia está na moda).
Me sinto no extremo.
No canto extremo do mundo,
isolado pela cartografia e largado por aí,
destinado a mim e a gente como eu,
que somos tão diferentes de outros humanos.
- mudamos o nosso ideal de normalidade...
Talvez eu seja humano demais.
Talvez eu seja um tanto desumano.
Talvez eu viva num mundo de loucos
- cada um diferente do outro.
Frenéticos de cabeça baixa,
quando passam por você, alienados
nem percebem.
Pois é tudo sempre passagem.
É tudo passageiro.
- somos todos...
Parte de um processo inacabável
Onde todos - inabaláveis - realizam sua função.
Função. Palavra mais funcional...
- e no fundo não funciona nada.
Eterna correria atrás de um pouco de paz!
Enquanto brincam de dividir o mundo
sob fronteiras, sob leis específicas a tudo o que cabe,
eu tenho que produzir...
Mas sou produzido.
Tal como um produto da máquina de moldar gente.
Apenas quando consigo, por tempo
- que nos falta -
ou por vontade
- quando se sente livre para isso -
me reproduzo no meu ínfimo caderno de papel reciclado.
(porque ecologia está na moda).
Me sinto no extremo.
No canto extremo do mundo,
isolado pela cartografia e largado por aí,
destinado a mim e a gente como eu,
que somos tão diferentes de outros humanos.
- mudamos o nosso ideal de normalidade...
Talvez eu seja humano demais.
Talvez eu seja um tanto desumano.
Talvez eu viva num mundo de loucos
- cada um diferente do outro.
Frenéticos de cabeça baixa,
quando passam por você, alienados
nem percebem.
Pois é tudo sempre passagem.
É tudo passageiro.
- somos todos...
Parte de um processo inacabável
Onde todos - inabaláveis - realizam sua função.
Função. Palavra mais funcional...
- e no fundo não funciona nada.
Esqueço-me do sentido.
Entre sentidos e sentidas,
mas muito sentido mesmo,
equilibro-me na corda bamba.
A roupa centrifuga-se na máquina;
Máquinas que lavam os homens,
Homens que nascem nus,
Nascem nus e vivem engarrafados.
Meninos e Meninas,
Brincam de amarelinha,
E pulam corda nas ruas.
Ah, mas eu me pergunto...
Será que se lembrarão disso no futuro?
- eles nem pensam sobre o futuro.
Será que serão sempre donos das mãos divertidas que batem a corda?
Assim eu fico:
A olhar e olhar o album de fotografias,
fotos de uma eterna nostalgia...
Uma velha partida de futebol;
Uma poltrona velha em que se afunda nas vagas sombras da memória;
Um avô, um herói, um colo. Um sorriso...
Sempre um sorriso.
Olho sentado o eterno sentido
nunca antes tão bem sentido
desse poema sem sentido.
Perdido em saudade, deitado sobre lembranças, escondido por entre tristezas...
Mas que pra mim faz todo o sentido.
mas muito sentido mesmo,
equilibro-me na corda bamba.
A roupa centrifuga-se na máquina;
Máquinas que lavam os homens,
Homens que nascem nus,
Nascem nus e vivem engarrafados.
Meninos e Meninas,
Brincam de amarelinha,
E pulam corda nas ruas.
Ah, mas eu me pergunto...
Será que se lembrarão disso no futuro?
- eles nem pensam sobre o futuro.
Será que serão sempre donos das mãos divertidas que batem a corda?
Assim eu fico:
A olhar e olhar o album de fotografias,
fotos de uma eterna nostalgia...
Uma velha partida de futebol;
Uma poltrona velha em que se afunda nas vagas sombras da memória;
Um avô, um herói, um colo. Um sorriso...
Sempre um sorriso.
Olho sentado o eterno sentido
nunca antes tão bem sentido
desse poema sem sentido.
Perdido em saudade, deitado sobre lembranças, escondido por entre tristezas...
Mas que pra mim faz todo o sentido.
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