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terça-feira, 22 de setembro de 2009

Resposta

Tão humano e egoísta que sou,
um egoísmo que é fruto de uma liberdade que não quero ver perdida
e ao mesmo tempo desconheço, a liberdade moderna! tão solitária que se prega!
Não conheço a liberdade que quero e tenho mesmo sem saber.
Tão humana e frágil que te tenho, como palavras em um papel
que poderia ser rasgado sem o mínimo esforço, a não ser por me envolver
e exigir de mim braços do tamanho do mundo e do meu próprio cru
do tamanho do meu cruel e imperfeito, do meu lado escondido de mim.
Nada mais é idealização, nem nunca foi... tudo real. hoje real e verdadeiro.
Ao retirar de dentro tudo o que é dor e é tão nosso, o que sobra é um lindo céu azul.
fica um poema que é feito de mais elementos que apenas palavras.
Ao retiramos a casca, podemos ter a ferida aberta e sabemos enfim que lá dentro há vida! Não há necrose onde há vida, pois o sangue é como o movimento da própria vida.

Invejarmos um ao outro nesse sentido é querermos completarmos como uma única experiência. E vivendo nessa liberdade compartilhada sabemos ser o mundo uma única experiência, na qual temos do fundo-interior a contribuição individual do avesso de cada impulso, cada pulso de vida que admiramos em sintonia.

Nada acaba, portanto nem sequer atinge um meio...

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

Pra quê doer?

Podemos brigar eternamente
mas para quê, se sabemos sermos
estarmos sempre afim
estarmos e sermos sempre amigos
companheiros enluarados da terra
num cio que não cessa.

Ciúmes pra quê? se a terra é tão banal
e maravilhosas são as cores do céu
e a vista da pedra branca tão mágica
da terra de fadas e duendes, sob escrúpulos
e pudores animais, são instintos que a gente não vê...
e são posses que nunca sorvemos
porque não possuímos nunca senão
o que é matéria um do outro.

Por que não possuirmos senão a liberdade de querermos
e estarmos sempre afim, do que nos é tão não igual
seguirmos passos um beijo de Caetano
e termos sempre a não briga, o não motivo e o não chão
se nunca houve a queda, já que a queda de um mimo
é a ferida do orgulho que não cicatriza
em nenhuma e todas as mulheres continuamente
se o amor não morre dentro dos nossos olhos
e o carinho sempre emana de nossa pele fina.

Por que pegamos partículas de drama dispersas no ar
para produzirmos uma prosa sem vida
se em nossas passadas e futuras pegadas estão as palavras para que possamos compor uma poesia?
Pra quê sofrermos com a sintaxe louca do sentimento,
se podemos nos alegrar com a semântica de um beijo?