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sexta-feira, 23 de abril de 2010

Poema-minuto
uma pírula de sorriso
na inércia do dia-a-dia.

Morelli disse, como um mote, no jogar da Rayuela, que não existe causa plausível ou mesmo aceitável para o não fazer estático da madrugada na cidade, na inércia das marolas no mar vazio e na concepção astronômica de zoroastros e zodíacos e zaratustras inventados sempre-sempre novamente. - Quem é Morelli afinal? - inventor da interrogação de Cortázar e do estupendo diálogo entre o asfalto e as solas descalças dos pés no pular da amarelinha. Seria como refazer-me uma vez após outras na dança despretenciosa das luas a cada semana, nas noites frias em pleno verão e nas cachoeiras incoerentes da sansibilidade.

O processo não é nada
                                   O estímulo é tudo.
Birra modernista
                                   Resignificação do momento
Desconstrução
                                   Ordenada.


- Quando seguro sua cabeça assim entre o berço das minhas mãos...
Ato e significado.

fome.

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Comemoração

Eu e um inseto de luz, o mesmo de todas as noites, único disposto a enfrentar o calor insone da lamparina da minha rua, sobre a cidade do silêncio, possui e desperdiça os Kandinskys, Monets e Van Goghs da madrugada, a lua minguando seus mistérios como enigmas, esfinge no deserto da noite, clareando os olhos da minha vontade e do meu corpo, do meu nome e da minha carne, porque a lua minguante tem como beleza a misteriosidade dos seus segredos. Dessa vez quase me decido por falar com o vôo da luz, que talvez tenha coisas interessantes para contar sobre o seu dia, ele que me acompanha invariável nas noites em que olho a cidade do telhado. Hoje vim preparado, como num acampamento, muni-me de toda a técnica, hoje sou o telhado. A cidade iluminada paradoxalmente dorme espessa sobre os desejos leves da rua. E as estrelas brilham numa imobilidade débil, piscando solúveis no lençol escuro que cobre as revoluções dos homens, a música desenhada em todo o século XIX, a inquietação da juventude e as próprias estrelas. Todas as conquistas são válidas com mãos para tremer com a dela, a minha treme até agora. A nuvem devorava a lua antes de desfazer-se. A lua sobrepõe-se agora nua e semioculta, em sua semiótica inabalável. Isso me parece como uma comemoração. O inseto de luz entrecortando seus feixes, nadando o ar, refletindo a luz nos viéses dos olhares de tempo em tempo num padrão incompreensível de farol. O inseto permeando o mundo, existindo insignificantemente ao meu lado e alheio à tudo que o cerca, alheio ao tempo e ao sub-tempo e ao sub-sub-tempo, desnudando o momento, separando a cidade numa sobreposição de imagens e sentidos e significados, como se cada prédio e cada luz fossem desenhadas em planos separados que se sobrepusessem dando-nos a idéia de realidade. Como se eu pudesse parar agora e nesse momento se resumiria diante de mim alguma parte inconcebível da natureza do gênero humano ou da inocência infantil. É melhor salvar o pensamento materializado antes que ele se perca na efemeridade do tempo como demonstra inútil o breve bater de asas do inseto de luz emergido na fumaça da criação e perfurando indefinidamente os horizontes planos do seu entorno, transformando as estrelas a noite os mistérios a pobreza a miséria em insignificantes molduras para o seu existir. O plano silencia profundamente num ante-despertar, do não que é o dormir. Mesmo o vento se cala obscuramente para ser somente o soprar e o soprar que são asas e no comemorar e o comemorar que é a luz da lua. Seria tão mais nítido o não ver do que ver as pequenas partes do nada que nunca se veria e que são as minúsculas fontes para embalar os poucos do tudo numa inesquecível textura de duna ou gosto de beijo ou som do cello na op. 89 de Fauré.

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Antigos sonhos de um antigo caderno V

A noite está quente
faz toda gente roer os dentes
entre uma virada e outra
na cama que a poeira e poeira e só
navegando pensamentos distintos
de qualquer temperatura.

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Lua meu pagã.

Nunca tinha tanto ao eu selvagem

Ao som dos atabaques
No a
fro

t
mo
Bra
sil

Que era mais
era uma bandeira
a bandeira éramos nós

Falava já d'antes até conforme, pois que sim, todavia

nunca tinha pertencido ao que dizia
e dizia assim, quase querendo acreditar

Mas a lua de Ogum que é também São Jorge e o nome de meu santo e minha tristeza pagã
que antes me possuía sem eu sabê-la
A lua que é água prata congelada em torno do céu
sei-la como natural e humano
Com a razão e vóz que sou sendo, o grito animal que clama novamente a terra e vida e o bicho a que infinitamente pertenço

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Abrir o verbo

A abertura do verbo é uma cirurgia linguística.

O único verbo que é qualquer coisa de truncado menos de aberto, é o verbo que soa som-ressonante na cidade do Brasil. O que me faz duvidar que seja português...

(...)


pra rasgar o verbo logo de cara

fora da cidade
vem o ano
que vem
agora

escrevê, fa
zê, po
e
tá Dá,
dá qué,
fa
zê fa

e
poe


já na cidade
vem o ano
que
viria veio
mas não
foi ontem
foi
mas não
veio

ca
dê cadu
co me
çá
ranhá
pra
brí o ver
bo des
de





Leandro Paixão e Rafael Jambas

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Sobre som e silêncio (primeiro desenvolvimento)

A palavra é a quebra do silêncio que é inércia de um eco surdo que se repete e repete e repete em nada que se movimenta. O silêncio envolve todos os sons e signos, é o conforto das palavras. Na sua ausência-mais-que-presente o silêncio paira no te-dizer te amo, e o amo é o rompimento do vazioio que era amor em princípio.
A palavra é turbulência do vazio-cheio perfeito. A palavra é o serzinho humano que travessa um mar horizonte de existência.

Leituras.

Tem uma pessoa lendo um livro.
E dentro da infinidão contraste tudo nada
tem uma pessoa que lê um livro,
onde uma pessoa lê um livro,
onde uma pessoa lê um livro,
onde uma pessoa lê um livro,
onde uma pessoa lê um livro,
.
.
.

Uma infinitude de pessoas leêm-se mutua-infinitamente.

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Domingo

Três mulheres dançam na sombra. Paira a fumaça de um olhar,
neste dia Domingo, tão pacato
tão calmo, calmo, calminho, carinho...
Ninguém anda com pressa, ninguém anda,
ninguém tem pressa
Pressa, pressa
Pressa
Pressa
Presa
.
.
.

A Pressa é uma linha rápida vocálica que atravessa verticalmente o poema

Alguém passa correndo através da tarde vazia e calma
- fumaças e nuvens compõem o céu -
O céu passa devagar,
Empurrado por ventos invisíveis,
desenhando com água e gelo,
diz o rítmo do pensar, do passar, e o pensamento conversa... versa?

O Domingo se transforma em pássaro que canta voa e pia
Pia tal o menino que passa correndo
Mas não estraga o poema
Ele é o poema quando grita
Ele está o poema
quando canta pia rodopia
E dança
E canta
E torna rodopia
E me arrepia, cada vez mais rasante, descendo, como uma queda, nas linhas do poema.

Enquanto na terra as formigas
somente elas
movimentam a monotonia do Domingo.

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Soneto amordaçado.

Nada a nada
sou esse intenso indecente
indefinidamente...

O poema, apenas apalpado
apalavreado, um amálgama
deterioração da palavra.

Romanceado um momento
um instante fixado
em a-b-b-a letrado
vale ao menos um soneto

Inverso de pé virado
emoção alardeado, reviravolta
estilhaçado, recolho-me a mim
para em mim não acabar machucado.

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Chuva e tango.

Saltos no telhado
Saltos, slatos, sltaos, sltoas, sltosa,
Saltos como num balé onírico na fluidez da madrugada
Numa erudição do movimento
Saltos, saltos, saltos,
Conformes consigo, com uma conguência eucléica de noite.

Um remorso de um salto
Ainda um salto, como um toc no telhado,
Como uma maçaneta da água estática no céu
Moderno, exaltação do corpo movimento
Uma expressão de arte em ser, de ser em,
Arte inspiração de uma expressividade tônica
Sonhando com um ronco de Ciello
No compasso rítmico que é a pulsação do sangue
Do corpo-sólido-imagem,
Nos saltos do balé do telhado.

Dança louca e barulhenta, como murmúrios,
Rumores de um tango coreografado em beijo no escuro
Profunda pele que é como um toque
Em um Piazzola dançante, o tango menino,
Preto e branco, como um xadrez, lúdicos cavalos!
Na esfolação do tango, na evolução do tango, Tango!
Arranha como uma sonoridade de cio
Um ócio ocioso nos saltos do tango do telhado, erótico,
Como uma sugestão às luzes do teatro
Rejeição da mente no brotamento do palco
Só o golpe egoísta dos saltos, do balé dançado
pelas gotas de chuva que caem da madrugada.

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Sobre cãos e vira-latas.

Eu e os cachorros de rua
nessa alvorada, nesse caçada
por alguma lata, uma lata que seja
alguma viralata abandonada
para lhe roubarmos a alma.
Te escondo a minha comida
o meu berço - não quero que penses
que um dia fui criança -
Seguramos na corda do alpinista
e subimos com ele para o alto
e além do alto e morremos
muito sôfregamente no além do alto.
Vinícius, tu que me reviras como lixo
tu poeta, como gostas, me come no café da manhã.
Eu que sou feito de muito pão e suor,
e na verdade muito cuidado e carinho,
como tu um monstro da delicadeza,
e de singular beleza me esquivo
de olhos esguios que me fecundam,
nos sonhos uma mulher me fecunda.
Ela que no mundo me achou, eu
que sou o seu viralatinha
ensopado de uma realidade banal
cansado, muito cansado.
Regado por influências da última lua,
amanheço o dia antes do relógio acordar
e abro o céu como se fosse o tecido
daquele a quem chamam deus,
o psiquiatra infrio do mundo, incruel e insensível,
e criador de seitas que exploram em seu nome.

Nessa madrugada que já é mais que clara,
e mais que dia embora madrugada
janto-lhe os braços e as pernas, oh poeta,
oh muher, oh deus!
Janto-lhe os versos Vinícius,
janto-lhe o emaranhado dos cabelos de gozo mulher, muito mulher,
janto-lhe os pecados deus,
e janto-me a minha eterna e brusca poesia.

quarta-feira, 24 de junho de 2009

Língua

porqueapalavraapalpada
frasesemsentidoperdida
nalínguametalínguaroída
pelosqueaindainflamam
aínguapelafaltadeacento
semcrasepalavrasemcasa
decimalnãoématemática
umasociedadetãoperdidamente
perdidaemseupróprio
egoegocêntrico
queperdelouca
alíngua.

quarta-feira, 25 de março de 2009

Comofazerumaodeaoserhumanodehojeemdia.

Ser em si um ser em questão, ser ou não ser,
O Homem, bicho estranho, é, mesmo, de si mesmo irmão?
De hoje se nega a clássica poética,
que passa a ser fruto incisivo da degradação do ser Homem.
- Degradação da língua.

Deve ser a poesia um eco solúvel
para essa coisa contraditória e descompassada.
Rima mal-passada da miséria humana apenas
cápsulas de bala para o gordíssimo pudor do dinheiro.

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

Livros

Vamos compor alguma coisa?
Eu perguntei pra ela.
Mas ela só mecheu a cabeça e abanou o rabo.
Coisa estranha telepática ourivesaria
é o rebanho de cachorros do meu pensamento vizinho.
Como um saco de dormir, saco de palavras, saco de trovador.

Que saco só latir. Tentar em vão me comunicar.
Mais fácil me trancar num escritório meu mundo,
cheio de navios e barcos a boiar, antes que a enchente me venha valer.
Genealógica árvore de pensamentos, por trás dos meus óculos escuros,
em uma tarde que não se tem muito o que pensar.

São os livros que ando lendo. Mechem a cuca e remexem,
em refinado desconcerto. Me penetram na vida,
reviram a morte, criam versos com molas.
E me fazem até falar com cachorros.

segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

Noite de inverno.

As palavras se estratificam como nuvens num céu de lua cheia,
conglomerando gotículas de concepções e significados
na tela da mente que desmente idéias dementes,
deveramente simétricas à cadência de estrelas e pedidos.

Nesse céu cambeiam tons e tons noturnos
de azul-escuro-filosófico e azul-claro-meditativo
de sutil gradação, pincelados em aquarela desbotada
da sobretela de vapor d'água, justaposto ao imprevisto cenário:

A Lua, inteira e maciça, de inquietas formas a se diversar,
delineia silhueta zefíria, onde não se sabe seu verdadeiro alcance,
e conversa com a noite, em arcano namoro. De lenta e vaga
não deixa claro seus reais escopos, e permanece aprazível,
sempre bela, esperando cortejo, e seu devido prestígio.

As estrelas condizem: à seu chamego, fazem extravagante declaro,
nascem e renascem, discutem e batalham, pelejam e se ofendem
todas de suas devidas distâncias, de modo que quando elogio atinge destino,
por gênero de excêntrico acaso, passaram a vida inteira acreditando amor incorrespondido, pois que já inexistem.

Embaixo, sorrateira, dorme a inquieta cidade, apreensiva numa noite de sono,
intrigantemente desapressada, harmoniza-se em cardinale conjunto,
de aprazível concerto:
Van Gogh deslumbra uma noite de inverno em pleno verão arrebatado.

quarta-feira, 24 de dezembro de 2008

Poema palavra.

P O E M A
O
E
M
A

Circunstância letrada da vida...

...momento preso entre os dedos de cada palavrA

V I D A
I
D
A

Poemática da arte existir...

...viver é retirar de cada momento a sua poesiA

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

Que falta faz Bacamarte, aqui na Terra.

Libertaram os poetas! salve-se quem puder!
é um deus-nos-acuda e ainda um sei lá:
eles abrolham das praças, brotam do chão e do nada,
chovem em dia de sol - quando ninguém está de guarda-chuva -
aportam nas portas e ancoram nos portos
apontam e despontam e assim procedem,
dominam a cidade e tomam o governo,
retiram os cartazes e queimam as bandeiras.

O povo, em caótica, decretada calamidade, exclama:
- "Nada tem sabor para eles! ingratos sem raça!
despregam e relegam, pelegam injustos!
essa gente astuta e capciosa! esses tais de poetas!
são loucos! loucos psicopatas de excêntre-recesso!"

Estabelece-se a bancarrota humana, a ruína:
- "Nós, poetas, determinamos a partir desta e de agora,
que o mundo parou! não haverão mais Estados, não haverão mais fronteiras,
não haverão mais nomenclaturas! A modo que tudo é um e de um se forma o todo.
É o fim dos objetos e das coisas, dos artefatos e artifícios.
Serão fechadas todas as congruências, serão fechadas todas as conveniências!
Viveremos só do que nos cabe nas palmas das mãos.
A partir desta e de agora: ninguém é poeta e todos serão;
e seremos o que sempre quisemos ser..."

E foram "ohs" e "ahs" para todos os lados; mais exclamações:
- "Como?! Qual?! Isso é absurdo...!"

Pois que assim seja, porque nesse poema, os poetas são eu, e o poema ainda mais meu:
O que não dura, domínio e predicado, descai, se apaga e desbota,
abrandam-se e se extinguem, são expungidos lentamente,
pelos novos desígnios de idealidade;
- Há tempos se esqueceu o que é posse,
e o ser humano sabe até amar melhor. -
Os países todos convergem para um só, e enfim, o mundo!
Aprendeu-se tolerância e respeito, e melhor ainda,
aprendeu-se a aprender o outro; apronta-se humanidade.

Que finda em completa revolução, de manifesto versado,
regida poesia, poemática, em demasiada poematização:
- "E no fim, não eram tão loucos assim, os poetas..."

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

Zunido.

Deito-me a zunir. É o som que traz a insônia,
enquanto zurra o silêncio da cidade entorpecida:
"ZZZZZZ"
Zumbe, rezuna e ainda se apruma,
para não me deixar dormir:
"ZZZZZZ"

É a auditiva vida de zumbido zóico:

Zunindo e zunzunando desmedido zuruó
- zurde-zurrada-zureta -
com afincado zimbo de Zês zombeirões.

Zangarreia-zangarilho, zarpa zaranzando
zarabataneando o sono, o zêlo e as zeugmas
em som zueira de Zê zebrado...

Zazaneia essa zabumba zicada, e enzarelha
- zepelim-zigomorfo-zigue-zague-zão-zão -
zarro de zoísta zombaria.

Zoantropia pior que zoada de zodíaco e zinziar de cigarra tonta,
sempre zumbindo, em zarro.

Mas a cidade, que dorme zapeira,
se esquece até do alfabeto, e entoa,
em zuído zumbaieiro, zunido uníssono:
"ZZZZZZ"

Metapoema.

O que chama, renasce, reluz e reclama
é o carro que escorrega;
é a alma que desfrega;
é o coração que desprega;
...esse unívoco jouer de palavras,
que é a minha poesia.

Faz sentido e desfaz, de própria-propriedade por ser apenas.
Mas se completa: Reluta por si,
abarrotada de coalhados rumos;
E também me completa, sim senhor:
Vincula opinião e preferência,
conhecido e experimentado
e notado e apercebido.

Contém, encerra, inclui e desinclui,
e apresenta todos significados e nenhum.
Leia e releia: pois que verá o que busca:
Um insignificante jogo palavreado, sobrenavegando espaço em branco;
Ou então buliçosos contingentes, versáteis
de solução analítica, dilateando intelecto;

Equivale ao significado de consistir, como consiste em equivaler.
E fica e é e está. E já não é mais.
Sou eu ou sujeito-qualquer, outro, que grita de lá,
e opina, e se diz e rediz e desdiz,
e já não sabe mais o que sabia dantes.
Não por ser bicho do mato,
mas bicho bicho mesmo, como outro qualquer bicho.
Que apenas é, e é.

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

Eco mudo.

O eco ecoa seco.
surdo o eco preto soa
seco, surdo, mudo

Ecoa secamente o eco seco cortante
seca e asfixia ainda mais a garganta
há muito tempo seca e cerrada

O eco de tão seco não ecoa
seca a palavra cai pesada
na superfície enganada do papel seco

Por quais paredes de qual caverna se esconde o eco
que acaricia os prazeres do tempo
com suas mãos de cascalho

eco.