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quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Soneto amordaçado.

Nada a nada
sou esse intenso indecente
indefinidamente...

O poema, apenas apalpado
apalavreado, um amálgama
deterioração da palavra.

Romanceado um momento
um instante fixado
em a-b-b-a letrado
vale ao menos um soneto

Inverso de pé virado
emoção alardeado, reviravolta
estilhaçado, recolho-me a mim
para em mim não acabar machucado.

domingo, 14 de junho de 2009

O tempo sorri.

A cidade passa por mim,
deitando despedidas feitas
pessoas e pessoas se apresentam
a meu humor, descaradas, escancarado.

Brilham as luzes de um lugar
onde ninguém jamais esteve.
Um lugar, quem sabe síntese,
pois um desconhecido em mim.

E essa necessidade louca de escrever,
necessidade louca de escrever,
que estive contigo

Quem sabe para tentar guardar
cada sorriso dado ao tempo,
como um tato que vira palavras.

quarta-feira, 6 de maio de 2009

Amor de mar.

Nosso nos é, o beijo, sentimento tão puro
do gosto do beijo das palavras que nos tateiam quentes
ainda amornadas no verão interno, sobrenavegando os mares
que encobre de inteira rebeldia os nossos anos incertos.

Como não sentir, uma vez que balança o mar inteiro,
que é amor, pros olhos de quem ama
o mar cego, que nos cega e nos entrega
e é ainda a mais cega de todas as nossas certezas.

Repouso as palavras molhadas sobre o calor do nosso beijo.
Os versos causam rebuliço dentro desse mar profundo
Reviram sua ressaca, tamanho poder que têm na poesia.

E o mundo se expande, para não transbordar a água
que emana de seus lábios, onde guarda todo o amor
de que falamos sem entender, eu e o mar.

quinta-feira, 30 de abril de 2009

à Stalingrado.

Escalco, desfalcado Stalingrado,
onde jaz uma ilusão perdida.
Falso líder, nesse mundo já deturpado
em vão erguemos uma bandeira ferida.

E jorra o sangue pelas veias,
pelas esquinas e ruínas do que um dia fora um sonho.
Jorra o sangue pelas veias, pelas esquinas ruínas,
do cadáver de Stalingrado.

Assim caminhamos, em pecaminosa quimera
que ainda assim resiste
existe na bandeira que sangra.

Passaremos por cima do que era
para um dia mudarmos a imagem
do sangue que ainda jorra de Stalingrado.